Conservação da natureza

Casas do Parque Natural de Montesinho lotadas para o fim de ano e brevemente abertas aos jovens

O PNM tem seis casas-abrigo
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O PNM tem seis casas-abrigo PÚBLICO (arquivo)

Dezenas de portugueses vão trocar a agitação dos habituais "reveillons" pela tranquilidade da Natureza, escolhendo para a passagem de ano o retiro das "casas-abrigo" do Parque Natural de Montesinho, que se encontram lotadas há meses.

"As pessoas já sabem que têm de marcar com muita antecedência", disse Duarte Figueiredo, o responsável pelo Departamento de Comunicação e Turismo do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade Norte (ICNB-Norte).

O fim de ano é, segundo aquele responsável, o pico da procura destas casas espalhadas pela área protegida, procuradas sobretudo pela classe média/alta do litoral, também em outras épocas festivas como o Carnaval, a Páscoa ou fins-de-semana prolongados.

O PNM tem seis casas-abrigo com 65 camas e nesta altura só já há algumas vagas, de acordo com o responsável, para o Natal, uma quadra passada geralmente em família.

"A comunhão com a natureza e a tranquilidade que o isolamento proporciona são os principais atractivos para os que optam por estas casas e que podem ainda ser brindados com uma passagem de ano branca, já que a neve costuma aparecer por esta altura.

Há vários anos que o parque dispõe desta oferta, que tem servido também de estímulo à iniciativa privada, contabilizando-se já 25 equipamentos particulares para alojamento no âmbito do Turismo da Natureza.

A maior parte da oferta neste sector no Nordeste Transmontana localiza-se em Montesinho e o ICNB promete diversificá-la ainda mais nos próximos tempos abrindo as portas aos jovens.

Segundo Duarte Figueiredo, o Instituto vai investir nos próximos dois anos mais de 350 mil euros na recuperação de mais três casas, que vão aumentar a oferta em mais 20 camas.

Mas a grande novidade será a recuperação da chamada "casa da Lama Grande" para centro de acolhimento de estudantes a "preços módicos", num lugar considerado "ímpar" pelo enquadramento paisagístico, em pleno coração do parque.

A ideia, segundo disse, "é fazer educação ambiental no terreno, proporcionando aos jovens uma experiência e uma abordagem aos valores ambientais de que nunca mais se vão esquecer".

O centro de acolhimento para grupos de 25 pessoas deverá receber os primeiros hóspedes no ano início do ano lectivo 2010/2011 e poderá proporcionar aos jovens experiências como a observação de veados ou outras espécies desta área protegida.

De acordo com Duarte Figueiredo, o Parque Natural de Montesinho, que se estende pelos concelhos de Bragança e Vinhais, tem mais casas que poderia recuperar, mas o propósito "não é injectar oferta excessiva, prejudicando os privados".

O parque quer servir apenas de "estímulo e exemplo", nomeadamente ao nível da arquitectura tradicional, utilização de materiais amigos do ambiente e de energias renováveis nestes alojamentos.

Não é intenção do ICNB enquadrar para já nesta estratégia, segundo aquele responsável, o aglomerado de casas da fronteira de Quintanilha, também sua propriedade.

Os edifícios, que albergaram serviços e autoridades, como a Guarda Fiscal, quando existiam as fronteiras administrativas, foram recuperados há dois anos na empreitada da ponte Internacional de Quintanilha, depois anos de abandono e degradação.

Os trabalhadores da ponte ocuparam aquelas casas durante a empreitada, que já terminou há mais de um ano, mas o aglomerado continua sem destino.

O ICNB não quer adiantar para já "pormenores" relativamente ao futuro, avançando apenas que poderá passar pela sua utilização por parte de instituições locais.

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