Cientistas analisaram 9200 mortes na Suíça

Estudo associa linhas de alta tensão a risco de desenvolver Alzheimer

Uma teoria sugere que os campos magnéticos perturbam os contactos entre as células nervosas e outras células
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Uma teoria sugere que os campos magnéticos perturbam os contactos entre as células nervosas e outras células Paulo Ricca (arquivo)

Quem reside a menos de 50 metros de uma linha de alta tensão pode duplicar o risco de desenvolver a doença de Alzheimer, segundo um estudo de investigadores da Universidade de Berna. O estudo, publicado na revista norte-americana "Journal of Epidemiology", é o primeiro no mundo a debruçar-se explicitamente sobre a possível relação de causa e efeito entre os campos magnéticos dessas linhas e doenças como Alzheimer.

Os cientistas examinaram todos os óbitos causados na Suíça por esta doença neuro-degenerativa entre 2000 e 2005, num total de 9.200 casos. Em resultado, concluíram que 20 destes casos surgiram em pessoas que residiram durante 15 anos e mais a menos de 50 metros de uma linha de alta tensão, o que representa o dobro da prevalência registada no resto da população. Pelo contrário, os investigadores não encontraram qualquer aumento de casos em relação à média em residentes a mais de 50 metros de uma linha de alta tensão.

Porém, estes investigadores sublinham que o seu trabalho não permite concluir definitivamente que os campos magnéticos das linhas de alta tensão estejam realmente na origem de um risco acrescido de Alzheimer. Até agora só podem ser avançadas hipóteses sobre o mecanismo que poderá levar os campos magnéticos a aumentar o risco de desenvolver a doença.

Uma teoria sugere que os campos magnéticos perturbam os contactos entre as células nervosas e outras células, enquanto para outra há uma maior produção de radicais livres, que poderia desencadear doenças degenerativas. Estudos anteriores apontaram para outros efeitos possíveis dos campos electromagnéticos na saúde pública, nomeadamente riscos acrescidos de leucemia, tumores cerebrais, malformações em fetos ou partos prematuros.

Todavia, estes riscos não estão ainda comprovados cientificamente, segundo concluiu a Organização Mundial de Saúde (OMS) depois de analisar milhares de trabalhos feitos sobre o tema nos últimos 30 anos.