Freakonomics à portuguesa

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Não poderíamos estar mais de acordo. Este é um livro sobre a economia portuguesa e os problemas económicos que os portugueses enfrentam no dia-a-dia. Na linha de "best-sellers" internacionais como "Freakonomics" ou "O Economista Disfarçado" (dois dos expoentes da designada "economia pop"), o autor analisa os mitos tradicionais da sociedade portuguesa à luz da ciência económica. São disso exemplo mitos arreigados como "esta é a maior crise da nossa História", "os espanhóis estão a tomar conta do país", "a crise das finanças locais fará com que a Madeira se torne independente" e "as coisas estão tão mal que só nos resta emigrar". O resultado é um livro que se lê de um só fôlego, escrito num tom informal, despretensioso e agradável, sem perder o rigor académico.

O primeiro capítulo explica porque os economistas erram tanto e porque não devemos acreditar nas "receitas mágicas". No segundo, o autor debate o sistema de incentivos da economia portuguesa e as consequências perversas da sua distorção. Essa é a razão pela qual os portugueses chegam atrasados a quase tudo, excepto às missas e ao futebol (existem pressões sociais para não o fazermos). No terceiro ele explica por que é que a actual crise pode até ser benéfica para o país. Seguem-se a análise dos mitos dos salários baixos; do euro; da produtividade; da paixão educativa; das universidades, da Europa, do perigo espanhol, dos imigrantes (o autor acredita que precisamos de mais ucranianos e brasileiros), do país pobre, das regiões, da Califórnia da Europa, da independência madeirense e, por fim, do país sem futuro.

Para além da identificação e desmitificação destes mitos o autor termina o livro com uma mensagem positiva sobre o futuro da nossa economia (outra característica que também é rara entre os seus pares). Tal como o autor esclarece, a maioria destes textos foram escritos quando ele se encontrava fora do país. Logo, conforme o próprio esclarece, quando se vêem as coisas de fora é mais fácil conter as emoções e sentimentos. "Como expatriados, somos imbuídos de maior imunidade em relação ao optimismo desmesurado dos portugueses quando as coisas vão bem, e ao pessimismo injustificado quando a economia passa por tempos menos felizes". A economia portuguesa, vista assim de fora, é decididamente mais bonita, acrescentamos nós.

Os Mitos da Economia Portuguesa

Autor: Álvaro Santos Pereira

Editora: Guerra e Paz

Páginas: 222

Preço: 16.65 euros

O Melhor:

Depois do sucesso de tantos livros internacionais que procuram explicar os problemas do quotidiano à luz da ciência económica, fazia falta um livro deste tipo adequado à realidade nacional. O autor escreve de forma informal e despretensiosa.

O pior:

O livro é uma colectânea de textos já publicados pelo autor em jornais e revistas de especialidade. Embora a maioria dos temas permaneça na ordem do dia, outros o tempo já se encarregou de provar que se tratavam realmente de mitos.

PERFIL DO AUTOR

Álvaro Santos Pereira nasceu em Viseu em 1972. É doutorado em Economia pela Simon Fraser University (Vancouver). Actualmente é docente no departamento de Economia da Universidade de York, onde lecciona as disciplinas de Economia Europeia e de Desenvolvimento Económico. Entre 2000 e 2004, ensinou no departamento de Economia da Universidade de British Columbia. Irá em breve regressar à Simon Fraser University, no Canadá, para leccionar Economia e Desenvolvimento Económico. Desde 2001, que colabora regularmente no "Diário de Notícias" e no "Diário Económico", e tem escrito ocasionalmente para a "Exame", o "Expresso", o "Jornal de Notícias" e o "PÚBLICO". É autor do "blogue" "Desmitos" (desmitos.blogspot.com) e do romance "Diário de um Deus Criacionista", editado pela Guerra e Paz.

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