Espectadores e actores ocupam Rivoli em protesto contra privatização

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O espaço é gerido pela Culturporto DR (arquivo)

A manifestação começou depois da exibição da peça "Curto-Circuito", da companhia Teatro Plástico, no pequeno auditório, num protesto convocado pela companhia.

A autora da peça, Regina Guimarães, que também se juntou ao protesto, explicou à Lusa que o objectivo, para além de protestar contra a intenção da Câmara liderada por Rui Rio (PSD), é também evitar que o cenário se repita em outras zonas de Portugal.

"Se não fizermos isto, outras autarquias acabarão por fazer o mesmo com equipamentos similares", disse.

Câmara mandou encerrar as portas de madrugada

Os manifestantes decidiram permanecer no edifício apesar da decisão da Câmara de mandar encerrar as portas, à 01h20.

A decisão da Câmara Municipal do Porto foi transmitida aos manifestantes por Fernando Pinheiro, produtor da Culturporto, a associação que actualmente gere aquele espaço cultural.

Antes de ter sido anunciada a decisão de encerrar as portas, o responsável pela segurança do Rivoli tinha acusado os manifestantes de "estarem a gozar" com o trabalho dos funcionários, aconselhando-os a prosseguir o protesto no exterior do edifício,ou seria necessário "tomar medidas".

"Pois então que tomem", foi a resposta dos manifestantes, que se recusaram a abandonar o local.

Cinco candidatos à privatização

Entre os espectadores circulava um documento com críticas ao presidente da Câmara, por defender "uma ideia de um teatro regido por critérios de rentabilidade", atitude que os autores do manifesto consideram "assaz curiosa para quem esbanja dinheiros públicos em corridas de automóveis". O texto refere-se à reedição, no ano passado, do Grande Prémio do Porto, no Circuito da Boavista, um evento que não se realizava desde os anos 60.

O documento pede garantias de que "o teatro não seja gerido e programado em função da maior ou menor rentabilidade", de que "os núcleos de produção da cidade do Porto, em todos os domínios da criação, tenham acesso e lugar no seu teatro municipal" e de que "a direcção do teatro pugnará pela formação contínua do público.

A Câmara do Porto abriu um concurso para entregar a privados a gestão deste teatro, recentemente recuperado, ao qual se apresentaram cinco candidaturas.

A decisão da autarquia tem sido contestada no meio cultural, estando já a correr uma acção de recolha de assinaturas contra a cedência à gestão privada daquele espaço, organizada por um conjunto de personalidades da vida cultural e política portuense.

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