Secretário-geral socialista diz ter sofrido "derrota pessoal e política"

Ferro Rodrigues demite-se da liderança do PS

Ferro diz que o Presidente adoptou uma decisão errada e perigosa
Foto
Ferro diz que o Presidente adoptou uma decisão errada e perigosa Eduardo Costa/Lusa

Ferro Rodrigues anunciou esta noite a demissão do cargo de secretário-geral do PS, assumindo como "uma derrota pessoal e política" a decisão do Presidente da República de não convocar eleições antecipadas.

O Presidente da República decidiu convidar o PSD, o partido mais votado nas últimas legislativas, a formar Governo, rejeitando, assim,os argumentos evocados pelo PS e a restante oposição de esquerda.

Conhecida a decisão, Ferro Rodrigues, que falava na sede do PS, considerou que a solução encontrada pelo chefe de Estado para a crise política foi "certamente uma decisão difícil", manifestando, nesse sentido, o seu "respeito e amizade" por Jorge Sampaio. Ainda assim, sustentou que o Presidente adoptou uma decisão "errada e perigosa".

Admitindo a sua "decepção" quanto à solução encontrada, o dirigente socialista assumiu-a "como uma derrota pessoal e política". "Assumo toda a responsabilidade desta derrota. Neste quadro em que todos devem assumir as suas responsabilidade assumo as minhas", disse Ferro Rodrigues, sublinhando que continua "convicto de que a dissolução da Assembleia da República e a convocação de novas eleições seriam a melhor forma de assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas".

"A minha decepção é certamente partilhada pela esmagadora maioria dos que votaram no actual Presidente da República, por duas vezes, contra candidatos apoiados por toda a direita", acrescentou o líder socialista, que anunciou ainda que deixará de ser membro do Conselho de Estado.

Quanto ao futuro do PS, Ferro Rodrigues, que tinha anunciado a recandidatura ao cargo de secretário-geral logo após a vitória socialista nas eleições europeias de 13 de Junho, remete qualquer decisão para o congresso. "O PS saberá, no quadro do seu congresso, escolher um secretário-geral capaz de enfrentar a nova situação política que foi criada com a demissão de Durão Barroso e a nomeação de um novo primeiro-ministro e de um novo Governo de coligação PSD/CDS-PP", concluiu, sem revelar se será ou não candidato.