Desenvolvimento do cérebro causou a mutação

Gene já desaparecido diferenciava hominídeos dos primatas

Um gene que diferencia os hominídeos dos primatas e de outras espécies desapareceu há cerca de três milhões de anos, exactamente antes de os hominídeos começarem a caminhar erguidos, segundo vários cientistas norte-americanos.

A maioria dos animais ainda tem esse gene na sua estrutura orgânica, mas os seres humanos actuais já não o possuem e o seu desaparecimento poderá estar ligado à expansão do cérebro e ao aumento da actividade cerebral que conduziu ao pensamento abstracto.

Um gene controla a produção de ácido siálico - um tipo de açúcar chamado Neu5Gc -, segundo declararam os investigadores da revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. "Esta mutação ocorreu depois do nosso último ancestral comum com os chimpanzés e os chimpanzés pigmeus, e antes da origem dos actuais humanos", escreveram os cientistas.

Os esqueletos descobertos do homem de Neanderthal - o mais antigo dos primeiros humanos dos quais se conseguiu obter amostras de ADN - carecem também do açúcar Neu5Gc que caracteriza os seus antecessores.

"Esta parece ser a primeira diferença genética conhecida entre os seres humanos e os chimpanzés e, por isso, é uma descoberta extraordinária", declarou o investigador Ajit Varki, da Universidade de San Diego, na Califórnia, que dirigiu o estudo.

"Estamos a investigar as consequências desta descoberta", acrescentou o cientista, que precisou que o papel do gene ainda não é plenamente conhecido.