Alunos e professores debatem oportunidades no mercado de trabalho

Instituto Superior Técnico organiza semana aeroespacial

Até sexta-feira, o curso de engenharia aerospacial do Instituto Superior Técnico comemora a semana aerospacial. Debater experiências e explorar as oportunidades possíveis no mercado de trabalho, através de debates com profissionais e antigos alunos, é o principal objectivo da iniciativa. Os alunos falam de um mercado internacional de braços abertos, mas todos desejam, um dia, ter uma oportunidade em Portugal.

"Há perguntas?", diz António Reis, das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), no fim de uma apresentação sobre o airbus A400M, um avião de transporte militar que está a ser concebido a pensar nas necessidades das forças aéreas europeias. A participação nacional neste projecto europeu é de apenas 1,99 por cento, mas a audiência quer saber pormenores sobre o projecto. Sentados, atentos, numa sala cheia, os alunos do curso de engenharia aerospacial do Instituto Superior Técnico (IST) sondam, por meio das conferências que decorrerão esta semana, a capacidade de absorção do mercado, as experiências de ex-alunos, as dicas de professores.

Ricardo Reis, 24 anos, aluno do quinto ano, quer que António Reis lhe diga o que pode esperar das OGMA quando acabar a licenciatura: "Podemos contar com uma participação no A400M?" António Reis responde que 90 por cento do pessoal necessário para este projecto já foi recrutado, mas que os restantes serão procurados nas escolas.

O que leva um aluno a procurar uma licenciatura em engenharia aerospacial? Quase sempre um sonho, explica Ricardo Reis. O seu caso específico passa por uma paixão por aviões antigos: "Para mim, todos os aviões foram construídos até 1960". E explica que quer montar a sua própria empresa de reconstrução de aeronaves antigas, área na qual já trabalha.

Ricardo Reis defende que um aluno desta área que queira trabalhar, principalmente fora do país, não tem dificuldade. E a sua opinião é reforçada por outro colega, Tiago Hormigo. Com apenas 25 anos, e também a completar a licenciatura, Tiago já colaborou para a Agência Espacial Europeia (ESA) na Holanda, onde trabalhou num sistema de controlo de veículos na entrada da atmosfera de Marte, e trabalhou também para a ESA na Alemanha, no âmbito do projecto "Mars Express", uma missão que a ESA planeia lançar em Junho de 2003: "A ESA está de braços abertos, é só querermos", defende.

O truque, segundo estes alunos, está em ir para fora fomentar contactos, nem que seja por uns meses. Mas reconhecem que todos, passado um tempo, estão mortos por voltar para Portugal: "Lá fora come-se muito mal, é uma queixa generalizada", defende Ricardo Reis.

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