Israel considera racista resolução da Europa sobre circuncisão

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A 1 de Janeiro deste ano a população da UE ascendia a 510,1 milhões de residentes, contra 508,3 milhões em Janeiro de 2015 AFP

Israel pediu ao Conselho da Europa que revogue imediatamente uma resolução sobre a circuncisão por motivos religiosos, por acreditar que isso “alimenta as tendências racistas e o ódio”.

“Israel pede ao Conselho que revogue imediatamente a resolução”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores em um comunicado, na sexta-feira, destacando os benefícios médicos cientificamente reconhecidos da circuncisão.

O comunicado recorda que a circuncisão é uma tradição antiga do Judaísmo, do Islão e de parte da cristandade. “Qualquer comparação dessa tradição com a prática bárbara e condenável da mutilação genital feminina é uma ignorância profunda e, no pior dos casos, uma difamação e ódio anti-religioso”, acrescentou. Judeus e muçulmanos costumam praticar a circuncisão na primeira semana de vida da criança.

A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa adoptou esta semana uma resolução que aconselha os Estados-membros a tomarem medidas contra as “violações da integridade física das crianças”.

Pede também que sejam proibidas práticas prejudiciais como as mutilações genitais femininas e que sejam definidas as condições para outras práticas religiosas, como a circuncisão dos rapazes, que não esteja justificada do ponto de vista médico.

A resolução recomenda “adoptar disposições jurídicas específicas” para que algumas práticas não possam ser realizadas até que o menor tenha idade para ser consultado.

“Evocamos, efectivamente, diferentes ‘categorias’ de violações da integridade física dos rapazes, que distinguimos claramente, sem fazer qualquer amálgama”, esclareceu a deputada social democrata Marlene Rupprecht, que propôs o texto.

“A missão do Conselho da Europa é promover o respeito pelos direitos humanos, incluindo os direitos das crianças, em pé de igualdade com a luta contra o racismo, o anti-semitismo e a xenofobia”, acrescentou, numa nota.

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