ONG ucraniana contabiliza 77 atletas que morreram na guerra

Site foi criado com a assistência do Comité Desportivo da Ucrânia para homenagear os desportistas que faleceram na frente de batalha.

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Ihor Boyko, antigo jogador de futebol americano, morreu numa missão militar em Donetsk DR

Pelo menos 77 atletas ucranianos, de várias modalidades, morreram durante a invasão russa da Ucrânia, segundo a estimativa de uma Organização Não Governamental (ONG) desportiva do país, que inclui vítimas registadas até 11 de Julho passado. A agência noticiosa Ukrinform, de acordo com a EFE, cita uma nota da ONG Sports Angels, que contém informação sobre o falecimento destes atletas em diversas circunstâncias desde o início da “operação militar especial” da Federação Russa, a 24 de Fevereiro passado.

Na lista apresentada pela Sports Angels estão o kickboxer Mykola Zabavchuck, o jogador de râguebi Maksym Shvets, o campeão de “strongman” Vasyl Paveliev. Da lista constam ainda o nadador Volodymyr Ulianytsky, o jogador de futebol americano Ihor Boyko, o treinador de polo aquático Vitaly Lysun, a ginasta Daria Kurdel ou o futebolista Serhiy Balanchuck. Todos estes nomes constam do site Sports Angels, criado na Ucrânia há vários meses e com a assistência do Comité Desportivo do país, para prestar informação sobre atletas que morreram na guerra, alguns depois de se terem juntado às forças armadas do país.

Segundo uma nota publicada pelo Ministério da Juventude e Desporto da Ucrânia, serão cerca de três mil “os atletas armados que defendem a Ucrânia e a Europa”, mais “1100 atletas e treinadores na frente [de batalha] como voluntários”. A nota acrescenta ainda que 22 atletas estão em cativeiro e, entre os que morreram, estão “homens e mulheres”, “adultos e crianças”.

Desde o início da guerra têm sido múltiplos os relatos de atletas e ex-atletas que pegaram em armas para fazer frente à invasão russa. Dois dos mais conhecidos são Vitaly e Vladimir Klitschko, antigos pugilistas que chegaram a ser campeões mundiais de pesados. Vitali, o mais velho, é o presidente da Câmara de Kiev, e, com o irmão ao lado, tem sido um dos rostos mais visíveis da resistência ucraniana. Nas fileiras da defesa ucraniana chegaram a estar dois campeões olímpicos de boxe do país, Oleksandr Usyk (ouro em Londres 2012) e Vasiliy Lomanchenko (ouro em Pequim 2008 e Londres 2012).

Um dos atletas mais conhecidos a pegar em armas para defender a Ucrânia foi Zhan Beleniuk, único campeão olímpico do país em Tóquio 2020, medalha de ouro na luta greco-romana em 87kg, mais um título num longo currículo recheado de sucessos europeus e mundiais. Em 2019, foi eleito como deputado do Parlamento ucraniano pelo mesmo partido do líder do país, Volodimir Zelensky, o primeiro negro a consegui-lo, ele que nasceu em 1991 ainda como cidadão da União Soviética, filho de pai ruandês e mãe ucraniana. O lutador-deputado não está na frente de batalha, mas na retaguarda, a ajudar os seus compatriotas a sobreviver.

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