Jornalistas ignorantes? Não, obrigado!

É sempre bom recordar que sobre os jornalistas recai a grande responsabilidade de contribuir para uma melhor instrução de quem consome as notícias

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Melina Stathopoulos/Flickr

Há jornalistas muito ignorantes. Não só aqueles que magoam de forma séria a língua portuguesa, como também os que não fazem a mais pequena ideia do que é falar as línguas inglesa e muito menos francesa. É confrangedor ouvir/ver jornalistas a dar tiros no pé com palavras nas notícias que lêem, nas entrevistas que fazem. Esta semana, ao ouvir numa rádio a notícia do português desaparecido em Brighton, Inglaterra, a jornalista de serviço disse “Briton”, ao invés de pronunciar devidamente o nome daquela cidade de Inglaterra. Para quem tiver dúvidas, nada melhor do que consultar um instrumento de trabalho chamado dicionário. É possível aprender como se pronunciam as palavras. Há à venda em qualquer livraria que se preze.

A minha professora da escola primária dava muitas e boas reguadas a quem desse erros de Português nas cópias e nos ditados, obrigando todos a estar com toda a atenção ao que era lido e ouvido. Essa lição ficou-me para o resto da vida, levando-me a consultar os livros sempre que tenho alguma dúvida, quer quando acho não saber o significado de uma palavra, quer quando não a sei pronunciar.

Ora, não é isso que se passa com parte dos jornalistas de rádio e de televisão. E devia ser praticamente proibido não saber o básico de línguas para estar à frente de um microfone e/ou de uma câmara de televisão. Sinal do desleixo dos tempos? Cultura do “deixa andar”? Os editores sabem tanto como eles? Não sei a resposta exacta, porque não estou dentro das redacções. Mas não deixa de ser triste e pobre que profissionais da comunicação, supostamente qualificados, não saibam manejar duas das línguas mais faladas no planeta.

É sempre bom recordar que sobre os jornalistas recai a grande responsabilidade de contribuir para uma melhor instrução de quem consome as notícias. Afinal de contas, todos nós. Ignorar esta faceta do “ser jornalista” é deitar ao lixo a própria profissão.

E se este é o problema, qual a solução? Se a vontade individual de melhorar a própria instrução e capacidade de comunicação é curta, então que se recupere uma coisa que parece tão fora de moda: as acções de formação. Sim, esses momentos em que alguém que sabe mais do que nós vem reciclar a nossa formação, vem ensinar mais alguma coisa e lembrar que devemos estar em constante actualização no que toca às nossas competências!

As empresas detentoras dos meios de Comunicação Social atravessam dificuldades financeiras e estão mais preocupadas em sobreviver, do que com estas “minudências”? Acredito. Não há dinheiro para acções de formação? Acredito. Mas isso não é desculpa. Melhorar a formação pessoal é uma obrigação própria. Ponto.

Ainda ontem revi uma entrevista dada por um jornalista português a uma estação de televisão estrangeira e fiquei envergonhado por ele. Não sabia falar, não sabia alinhavar duas ideias seguidas em inglês por manifesta falta de vocabulário. Mais preocupante é que, de então para cá, nada mudou.

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