Pedro Filipe Soares outra vez líder parlamentar, mas com 20 votos contra

Na Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, no domingo, ficou claro que nem todos estão de acordo com o alcance das negociações com o PS.

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Pedro Filipe Soares na abertura das jornadas Maria João Gala

A Mesa Nacional do Bloco de Esquerda aprovou neste domingo o nome de Pedro Filipe Soares para voltar a ser líder parlamentar. A escolha não terá sido, porém, consensual e terá contado com 20 votos contra e nove abstenções. A favor, terão sido 49.

Ao que o PÚBLICO apurou, este foi o resultado da votação na Mesa Nacional, apesar de o nome de Pedro Filipe Soares ter sido proposto pela Comissão Política, onde terá sido aprovado apenas com uma abstenção. Em ambos os casos, as votações foram secretas.

Apesar disso, Pedro Filipe Soares enviou para todos os membros da Mesa Nacional um email a agradecer “a enorme honra da indicação para líder parlamentar”. Uma honra, escreve, que “é tão mais especial quanto a indicação ter ocorrido pela Mesa Nacional (pela primeira vez com uma votação específica para o efeito) e com uma votação expressiva (49 votos a favor, 20 contra e nove abstenções)”.

No email, Pedro Filipe Soares garante que tudo fará para estar “à altura do desafio de assumir a liderança parlamentar do terceiro maior grupo parlamentar da Assembleia da República e o maior da história do Bloco de Esquerda”. E deixa desde logo “o compromisso de apresentar ao grupo parlamentar uma proposta de equipa para a liderança parlamentar que represente a unidade do partido e que potencie esse valor” e de ser o líder parlamentar “de todas e todos os bloquistas”.

"Quem fala pelo BE sou eu", diz Catarina
Na sexta-feira, confrontada com declarações de outros bloquistas que não condizem com o que a porta-voz tem vindo a dizer, Catarina Martins fez questão de esclarecer: "Quem fala pelo Bloco sou eu."

Na conferência de imprensa que decorreu depois do encontro entre o Bloco de Esquerda e o PCP, Catarina Martins foi confrontada com declarações de Joana Mortágua à Antena 1, nas quais definia a renegociação da dívida como tema incontornável nas negociações com socialistas. E foi aí que a porta-voz respondeu: “Se me permite, quem fala pelo Bloco sou eu.”

Sobre a renegociação da dívida, o que Catarina Martins tem dito é que não está na mesa das negociações, o que não significa, porém, que o Bloco não a defenda. 

Contudo, durante estes dias em que decorrem as negociações à esquerda depois das eleições legislativas, têm vindo a público outras discordâncias sobre outros temas. À Renascença, Pedro Filipe Soares disse que o que está a ser negociado é apenas a “viabilização de um governo minoritário do PS e a viabilização do Orçamento do Estado para 2016”.

Ao Observador, Luís Fazenda também disse que “não se está a falar de nenhuma coligação de governo, nem de responsabilidades governativas”: “Estamos a falar de um governo minoritário de esquerda ou de um governo minoritário de direita”, declarou, reafirmando, no entanto, que o BE pode viabilizar um Governo do PS.

O que Catarina Martins tem repetido é que as "negociações se fazem à mesa" e que as reuniões ainda decorrem. Ou seja, o alcance deste processo depende também do acordo a que se conseguir ou não chegar.

 

 

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