Pai e filha perdem a cabeça (mas é só uma história)

António Jorge Gonçalves escreveu e ilustrou Eu Quero a Minha Cabeça! (edição Pato Lógico). Pedimos ao autor que nos contasse a história de viva voz com a ajuda da sua filha de sete anos, Miranda. Aceitou. Este é mais um Livro para Escutar, projecto do blogue Letra Pequena e do PÚBLICO. 

A história: “Não” é uma das palavras que cedo se aprendem a dizer, talvez porque também cedo é escutada com frequência. Céu usa-a bastante e com força. De tal maneira que um dia, ao não querer largar o baloiço, negou-se tantas vezes que lhe saltou a cabeça.

“E agora? O que vou fazer sem a minha cabeça?” Começa então a busca, com a ajuda de uma gaivota, pela montanha acima. Por lá, há-de encontrar outras cabeças perdidas: uma cabeça-flor, uma cabeça-pedra, uma cabeça-nuvem e uma cabeça-boneco-de-neve. Nenhuma lhe agradou, pois que nenhuma era a dela. Será dentro da montanha que descobrirá a palavra mágica que a fará recuperar a sua própria cabeça. Uma palavra simples de pronunciar, mas nem sempre fácil de escolher.

A menina do baloiço passou a conseguir travar a vontade de dizer “não” e suspeita-se de que não voltará a ficar sem cabeça. Eu Quero a Minha Cabeça! é um livro que, sem moralismos, apela ao sentido de aceitação, mas não de obediência cega. A descoberta interior das alternativas ao comportamento está bem ilustrada (nas imagens e texto) pela entrada na montanha.

(Sobre o conteúdo deste livro, já tínhamos dado conta aos leitores na edição em papel de dia 28 de Novembro de 2015).

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