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Ouvem-se os ecos da Nakba, a "catástrofe", no presente da Palestina

Em 1948, 700 mil palestinianos foram forçados a abandonar as suas terras, as suas casas, o seu modo de vida. Assim foi a Nakba, o "evento profundamente traumático" da memória colectiva palestiniana.

Árabes carregam os seus pertences à cabeça, enquanto fogem de uma vila da Galileia, cinco meses após a criação do Estado de Israel. No dia em que Israel celebra o seu aniversário, centenas de milhares de palestinianos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza lembram a Nakba, ou Catástrofe, de 1948. Cerca de 700 mil pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas e terras em resultado das acções levadas a cabo por grupos militares e paramilitares judaicos e israelitas. A razão por detrás do grande êxodo é alvo de controvérsia até à actualidade. Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
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Árabes carregam os seus pertences à cabeça, enquanto fogem de uma vila da Galileia, cinco meses após a criação do Estado de Israel. No dia em que Israel celebra o seu aniversário, centenas de milhares de palestinianos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza lembram a Nakba, ou Catástrofe, de 1948. Cerca de 700 mil pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas e terras em resultado das acções levadas a cabo por grupos militares e paramilitares judaicos e israelitas. A razão por detrás do grande êxodo é alvo de controvérsia até à actualidade. Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel

Em Novembro de 2023, Avi Dichter, membro do gabinete de segurança israelita e ministro da Agricultura, foi questionado por um jornalista, durante uma entrevista ao canal de televisão israelita Keshet 12 (Canal 12), se as imagens da fuga dos residentes do norte da Faixa de Gaza para o sul, após ordem de evacuação por parte da IDF, são comparáveis às imagens que dizem respeito à Nakba (que se traduz por “catástrofe”). Dichter respondeu: “Estamos agora a implementar a Nakba em Gaza." Mas o que é a Nakba? E por que razão é relevante no contexto no conflito que ocorre, presentemente, entre israelitas e palestinianos em Gaza e na Cisjordânia?

ONU define a Nakba, ou a "Catástrofe", em português, como “desalojamento e expropriação maciços dos palestinianos durante a guerra Israelo-Árabe de 1948”. Nos meses que antecederam e que se seguiram à fundação do Estado de Israel, em Maio de 1948, cerca de 700 mil árabes deixaram para trás as suas casas e as suas terras. Com os seus poucos pertences, sobre camiões, carroças, ou a pé, centenas de milhares de famílias árabes homens, mulheres, crianças e idosos  deixariam tudo o que tinham em busca de um lugar seguro. Encontraram-no na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e nos países árabes vizinhos, mas não mais puderam regressar a casa, reaver o que lhes pertencia, Israel não permitiu.

Entre 1948 e 1949, as aldeias e casas dos palestinianos foram destruídas ou reocupadas; as suas terras expropriadas. “A Nakba teve um impacto profundo nas pessoas palestinianas que perderam as suas casas, as suas terras e o seu modo de vida”, continua a ONU. “Permanece como um evento profundamente traumático na sua memória colectiva e continua a moldar a sua luta por justiça e pelo seu direito a regressar.”

Na Faixa de Gaza, em 2024  três meses depois o início do conflito  cerca de 1.9 milhões de palestinianos vivem desalojados, mais de 21 mil civis perderam a vida (cerca dos quais sete mil são crianças) e há mais de sete mil pessoas desaparecidas que, com ou sem vida, estarão debaixo de escombros que resultaram de bombardeamentos israelitas. A fome, a desidratação, as doenças de cariz infecto-contagioso e o estado disfuncional dos hospitais, privados, à semelhança do resto do território, do fornecimento de electricidade, combustível, água, mantimentos, tornam Gaza praticamente inabitável. Apenas durante o primeiro mês de bombardeamentos, Israel lançou sobre Gaza mais de 25 mil toneladas de explosivos, o equivalente a duas bombas nucleares. 

Muitos dirão que a Nakba já começou; outros aguardam a chegada do momento em que os palestinianos comecem a ser retirados do território para poderem invocar o retorno da "Catástrofe". Declarações como as do ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben-Gvir, de extrema-direita, que vê na emigração "voluntária" dos palestinianos de Gaza "a solução certa" para o pós-guerra, apenas reforçam o temor dos palestinianos. "Centenas de milhares sairiam agora, se pudessem", argumenta o ministro. Diante da extrema violência da operação militar israelita em Gaza e do discurso recorrente de incitamento à limpeza étnica proferido por membros do Governo israelita, a África do Sul acusou formalmente Israel de crimes de genocídio.

Ecos do passado ensombram o presente. Mas o que aconteceu, exactamente, entre 1947 e 1949? O que reduziu 700 mil palestinianos à condição de refugiados nesse período? Terão abandonado voluntariamente as suas casas  como argumentam sucessivos governos israelitas  ou ter-se-á tratado de um êxodo forçado, atiçado por violência ou ameaça, como defendem, até hoje, os palestinianos?

Ao longo da primeira metade século XX, sob o mandato britânico (1917-48), a Palestina atravessou momentos de grande convulsão social e política, provocados pelo crescimento de mais de mil por cento da população judaica em pouco mais de duas décadas. Em 1947, em resposta à complexidade do conflito que se havia formado na região, os Estados Unidos da América tornaram público o seu apoio à criação de um estado judaico e, poucos meses mais tarde, a 29 de Novembro do mesmo ano, a ONU levou à votação a Resolução 181, que dividiria a região da Palestina em dois estados – 55% do território a ser atribuído à comunidade judaica (para fundar Israel) e 45% à comunidade árabe (sob o controlo do Egipto e da Jordânia); Jerusalém seria governada por um regime internacional. Votaram a favor 33 países (entre eles os EUA, a URSS, França, o Brasil), 13 votaram contra (entre os quais o Egipto, a Síria, o Líbano, Irão, Iraque, Índia, Arábia Saudita ou a Turquia) e abstiveram-se dez países o Reino Unido, a China, o México, Argentina, entre outros.

A comunidade árabe da Palestina, maioritária no território, opôs-se expressivamente, durante mais de duas décadas, à ocupação britânica, à imigração maciça de judeus e à fundação de um Estado judaico, por via de manifestações, greves gerais e episódios de conflito armado a chamada Revolta Árabe. A ratificação da resolução da ONU, sem oposição ou resistência, traduzir-se-ia na oficialização da sua derrota. À semelhança do que havia ocorrido em 1917, ano em que o Reino Unido decidiu, unilateralmente, assumir o governo do território, o destino da Palestina estava, mais uma vez, entregue às mãos de terceiros, não às dos palestinianos.

Logo após a ratificação da Resolução 181, ainda em Novembro de 1947, a população judaica celebrou nas ruas a futura fundação do Estado de Israel, como é visível nas fotografias cedidas à Reuters pelo Governo israelita. O mundo árabe, sem surpresa, "rejeitou o plano [ratificado], argumentando que era injusto e que violava a Carta das Nações Unidas”, lê-se no site da ONU. A escalada de violência tornou-se iminente.

Vários ataques, que resultaram em centenas de mortos de ambos os lados, marcaram o início das hostilidades ainda em 1947. A 9 de Abril, membros de dois grupos paramilitares judaicos, Irgun e Lehi, irromperam pela aldeia de Deir Yassin, matando pelo menos 100 pessoas. Poucos dias depois, em retaliação, um grupo de árabes matou cerca de 80 israelitas que viajavam em direcção ao hospital universitário Rothschild-Hadassah.

A notícia do massacre em Deir Yassin, dias antes da proclamação de independência de Israel, tornou-se relevante ao “inspirar medo e pânico” entre parte da população árabe, que, temendo ver repetido o episódio noutras aldeias, se lançou em fuga do território. Os massacres repetiram-se, efectivamente, e o êxodo árabe intensificou-se. No dia seguinte à proclamação de independência de Israel, a 15 de Maio de 1948, os exércitos do Egipto, Iraque, Jordânia, Líbano e Síria, lançaram um ataque contra Israel. “A situação escalou para uma guerra total em 1948”, lê-se no site da ONU. Começava, para palestinianos, a Nakba, e, para israelitas, a Guerra da Independência. 

Existem diferentes versões sobre o que aconteceu durante esse período de guerra. Sucessivos governos israelitas, desde a fundação, têm mantido a versão de que a esmagadora maioria dos árabes saiu de livre e espontânea vontade, por medo da guerra ou a pedido das autoridades árabes locais, que, supostamente, encarariam o êxodo como um passo estratégico na guerra que pretendiam travar. Porém, a desclassificação, na década de 1980, de alguns documentos dos serviços secretos israelitas contariam uma versão diferente da oficial.

Um desses documentos, que data de 30 de Junho de 1948 e que está disponível para consulta online (e que foi já citado pelo Washington PostMonde Diplomatique e pelo Haaretz), revela que, "sem dúvida, as hostilidades foram o principal factor motivador da movimentação da população" e enumera as muitas acções levadas a cabo por judeus e israelitas nesse sentido. Elas vão desde “acções hostis contra as comunidades árabes” pelas IDF e dissidentes dos grupos militares Irgun e Lehi, “operações de rumor (guerrilha psicológica)”, “ultimatos para evacuações”, a isolamento de aldeias [árabes] em zonas de maioria judaica. “A evacuação de determinadas aldeias [árabes] resultou do nosso ataque e esvaziamento das aldeias [árabes] vizinhas”, especifica o relatório.

É possível afirmar, a partir da análise do documento, que 70% dos 700 mil árabes que abandonaram o território israelita entre 1 de Dezembro de 1947 e 1 de Junho de 1948 o fizeram em resultado de operações judaicas e israelitas – e que apenas 5% do êxodo é atribuído, pelos serviços secretos, às ordens dadas por líderes árabes a cidadãos árabes. “O elemento surpresa, longos bombardeamentos com explosões muito ruidosas e anúncios, em árabe, transmitidos em altifalantes revelaram-se muito eficazes quando utilizados correctamente”, lê-se no documento.

Pode imaginar-se, à luz da descrição que consta do relatório, o que poderá ter conduzido ao êxodo maciço da população árabe. As fotografias fornecidas pela UNRWA ao P3, a partir do escritório na Faixa de Gaza, em conjunto com as que a Reuters guarda no seu arquivo, ajudam a enquadrar, visualmente, os acontecimentos. Sem abrigo, comida, em trânsito forçado, em guerra, centenas de milhares ficaram dependentes da acção de organizações humanitárias para garantir a sua sobrevivência.

A guerra durou nove meses, três semanas e dois dias, e terminou a 10 de Março de 1949, na sequência de um armistício negociado por Israel com cada um dos países envolvidos na ofensiva. Embora a nação judaica estivesse em posição de inferioridade numérica (estava, contudo, mais bem organizada, mais bem equipada e treinada, motivada e financiada do que os seus adversários, segundo o historiador israelita Benny Morris), da guerra resultou a expansão do seu território  os 55% do território da Palestina que lhe haviam sido atribuídos pela ONU transformaram-se, ilegalmente, em 78%. Até hoje permanecem sob controlo de Israel.

Em solo israelita, no pós-guerra, permaneceram apenas cerca de 150 mil árabes. “A maioria passou a residir em aldeias da zona oeste da Galileia”, escreve a Britannica. “Porque a maior parte das suas terras foi confiscada, eles [os árabes] foram forçados a abandonar a agricultura e a tornarem-se operários não especializados da indústria judaica e em empresas de construção civil.”

Ainda em Dezembro de 1948, com a Nakba em curso, a Organização das Nações Unidas tomou medidas para assegurar a protecção dos direitos dos refugiados palestinianos e ratificou a Resolução 194 (II), para que pudessem regressar às suas casas, às suas terras, em segurança e em pleno direito. A ONU afirma que “75 anos depois, apesar das incontáveis resoluções, os direitos dos palestinianos continuam a ser negados”.

Mãe e filho junto da tenda onde vivem, no recém-formado campo de refugiados de Khan Younis, durante a guerra, em 1948
Mãe e filho junto da tenda onde vivem, no recém-formado campo de refugiados de Khan Younis, durante a guerra, em 1948 © 1948 Arquivo da ONU / fotógrafo desconhecido
Refugiados palestinianos que foram forçados a abandonar as suas casas e terras. Mais de 700 mil refugiados foram deslocados à força em resultado da guerra de 1948.
Refugiados palestinianos que foram forçados a abandonar as suas casas e terras. Mais de 700 mil refugiados foram deslocados à força em resultado da guerra de 1948. © 1948 Arquivo da ONU / fotógrafo desconhecido
Refugiados palestinianos foram forçados a fugir a pé, no início da guerra de 1948
Refugiados palestinianos foram forçados a fugir a pé, no início da guerra de 1948 © 1948 Arquivo da ONU / fotógrafo desconhecido
Meninas refugiadas puxam os seus pertences em carros de mão e carrinhos de bebé enquanto abandonam, à força, a cidade de Jafa, durante a guerra de 1948
Meninas refugiadas puxam os seus pertences em carros de mão e carrinhos de bebé enquanto abandonam, à força, a cidade de Jafa, durante a guerra de 1948 © 1948 Arquivo da ONU / fotógrafo desconhecido
Refugiados palestinianos na Faixa de Gaza, após as hostilidades de 1948. Uma simples tenda passou a servir-lhes de abrigo, juntamente com os seus poucos pertences.
Refugiados palestinianos na Faixa de Gaza, após as hostilidades de 1948. Uma simples tenda passou a servir-lhes de abrigo, juntamente com os seus poucos pertences. © 1948 Arquivo da ONU / Hrant Nakashian
Multidão de judeus junta-se para celebrar a votação da ONU que abria portas à fundação de um Estado judaico, a 29 de Novembro de 1947
Multidão de judeus junta-se para celebrar a votação da ONU que abria portas à fundação de um Estado judaico, a 29 de Novembro de 1947 Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
Abba Eban (centro à direita), que viria a tornar-se Ministro dos Negócios Estrangeiros, e David Hacohen (centro à esquerda), que se tornou membro do parlamento israelita, levantam a futura bandeira israelita, a 29 de Novembro de 1947, no topo do edifício das Nações Unidas, logo após a ONU ter votado a resolução 181, que abriria caminho para a fundação do Estado de Israel.
Abba Eban (centro à direita), que viria a tornar-se Ministro dos Negócios Estrangeiros, e David Hacohen (centro à esquerda), que se tornou membro do parlamento israelita, levantam a futura bandeira israelita, a 29 de Novembro de 1947, no topo do edifício das Nações Unidas, logo após a ONU ter votado a resolução 181, que abriria caminho para a fundação do Estado de Israel. Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
Refugiados palestinianos inicialmente deslocados para a Faixa de Gaza entram em barcos que vão em direcção ao Egipto e ao Líbano, durante a guerra de 1948
Refugiados palestinianos inicialmente deslocados para a Faixa de Gaza entram em barcos que vão em direcção ao Egipto e ao Líbano, durante a guerra de 1948 © 1948 Arquivo da ONU / Hrant Nakashian
No campo de refugiados palestinianos Ein El Hilweh, no Líbano, 1948. Depois da guerra israelo-árabe de 1948, mais de 700 mil refugiados palestinianos encontraram abrigo em tendas e em grutas. Com o estabelecimento da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), em 1950, foram feitos esforços no sentido de aliviar os refugiados em países árabes de acolhimento. Com o tempo, a UNRWA conseguiu substituir as tendas por pré-fabricados.
No campo de refugiados palestinianos Ein El Hilweh, no Líbano, 1948. Depois da guerra israelo-árabe de 1948, mais de 700 mil refugiados palestinianos encontraram abrigo em tendas e em grutas. Com o estabelecimento da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), em 1950, foram feitos esforços no sentido de aliviar os refugiados em países árabes de acolhimento. Com o tempo, a UNRWA conseguiu substituir as tendas por pré-fabricados. ©1948 Arquivo da ONU / Myrtle Winter Chaumeny
Refugiada palestiniana que foi impedida de regressar a casa na sequência do armistício de 1949 (a Linha Verde), após a guerra de 1948.
Refugiada palestiniana que foi impedida de regressar a casa na sequência do armistício de 1949 (a Linha Verde), após a guerra de 1948. © 1948 Arquivo da ONU / fotógrafo desconhecido
Multidão de judeus junta-se para celebrar, em torno de um tanque britânico, a votação da ONU que abria portas à fundação de um Estado judaico, a 29 de Novembro de 1947
Multidão de judeus junta-se para celebrar, em torno de um tanque britânico, a votação da ONU que abria portas à fundação de um Estado judaico, a 29 de Novembro de 1947 Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
Após a Nakba, as primeiras aulas em Jericó decorreram a céu aberto.
Após a Nakba, as primeiras aulas em Jericó decorreram a céu aberto. © 1948 Arquivo da ONU / fotógrafo desconhecido
Duas gerações feitas refugiadas. Uma menina afaga a cabeça do avô, enquanto este descansa sobre um saco de roupas, durante a fuga do norte da Galileia em direcção a um campo de refugiados no Líbano.
Duas gerações feitas refugiadas. Uma menina afaga a cabeça do avô, enquanto este descansa sobre um saco de roupas, durante a fuga do norte da Galileia em direcção a um campo de refugiados no Líbano. © 1948 Arquivo da ONU / fotógrafo desconhecido
Refugiada palestiniana recebe pão que servirá de refeição, distribuído pela United Nations Relief for Palestine Refugees (UNRPR), antes da criação da UNRWA, que se mantém, até hoje, em funcionamento com o mesmo objectivo: o apoio aos refugiados palestinianos.
Refugiada palestiniana recebe pão que servirá de refeição, distribuído pela United Nations Relief for Palestine Refugees (UNRPR), antes da criação da UNRWA, que se mantém, até hoje, em funcionamento com o mesmo objectivo: o apoio aos refugiados palestinianos. © 1948 Arquivo da ONU / fotógrafo desconhecido
Em Khan Younis, em Gaza, no Sul da Faixa de Gaza, Palestina, uma família de refugiados junto à sua casa improvisada
Em Khan Younis, em Gaza, no Sul da Faixa de Gaza, Palestina, uma família de refugiados junto à sua casa improvisada © 1948-49 Arquivo da ONU / fotógrafo desconhecido
Palestinianos carregam os seus pertences enquanto abandonam, à força, as suas casas, na Galileia, no norte de Israel, em 1948. Cinco países árabes atacaram militarmente Israel no dia seguinte ao primeiro-ministro israelita ter proclamado a independência do país, em Maio de 1948. Centenas de milhares de árabes residentes em áreas que, até então, tinham estado sob comando britânico fugiram ou foram expulsas das suas casas e terras pelas forças israelitas, ao longo dos 15 meses de guerra.
Palestinianos carregam os seus pertences enquanto abandonam, à força, as suas casas, na Galileia, no norte de Israel, em 1948. Cinco países árabes atacaram militarmente Israel no dia seguinte ao primeiro-ministro israelita ter proclamado a independência do país, em Maio de 1948. Centenas de milhares de árabes residentes em áreas que, até então, tinham estado sob comando britânico fugiram ou foram expulsas das suas casas e terras pelas forças israelitas, ao longo dos 15 meses de guerra. REUTERS/David Eldan/GPO/Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
Um conjunto de camiões transporta refugiados palestinianos e os seus pertences de Gaza para Hebrom, na Cisjordânia
Um conjunto de camiões transporta refugiados palestinianos e os seus pertences de Gaza para Hebrom, na Cisjordânia © 1949 Arquivo da ONU/ fotógrafo desconhecido
Refugiados palestinianos fogem das suas casas e terras na Galileia, em Outubro de 1948.  Passam por um veículo queimado durante a travessia. Cerca de 700 mil palestinianos abandonaram as suas casas e terras entre 1947 e 1949. Os israelitas encaram o nascimento do Estado de Israel como um triunfo heróico sobre séculos de opressão sobre o povo judeu e resistência árabe, e mantêm a tragédia palestiniana nas margens da sua sociedade. Alguns historiadores israelitas acreditam que Ben Gurion, o fundador do Estado de Israel, tenha considerado forçar uma maioria judaica em terras onde os árabes eram em número superior aos judeus.
Refugiados palestinianos fogem das suas casas e terras na Galileia, em Outubro de 1948. Passam por um veículo queimado durante a travessia. Cerca de 700 mil palestinianos abandonaram as suas casas e terras entre 1947 e 1949. Os israelitas encaram o nascimento do Estado de Israel como um triunfo heróico sobre séculos de opressão sobre o povo judeu e resistência árabe, e mantêm a tragédia palestiniana nas margens da sua sociedade. Alguns historiadores israelitas acreditam que Ben Gurion, o fundador do Estado de Israel, tenha considerado forçar uma maioria judaica em terras onde os árabes eram em número superior aos judeus. Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
Imigrantes judeus da Europa devastada pela guerra a bordo do navio <i>S.S. Aztmaut</i> (que significa Independência, em hebraico) enquanto este atraca em Haifa, a 14 de Maio de 1948, antes da declaração de independência do Estado de Israel
Imigrantes judeus da Europa devastada pela guerra a bordo do navio S.S. Aztmaut (que significa Independência, em hebraico) enquanto este atraca em Haifa, a 14 de Maio de 1948, antes da declaração de independência do Estado de Israel Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
David Ben Gurion (centro), o primeiro Primeiro Ministro de Israel, declara, a 15 de Maio de 1948, a independência do Eatado de Israel, tornado possível pela votação da ONU da resolução 181, a 29 de Novembro de 1947, que partiria a Palestina em dois territórios - um governado por árabes e outro por judeus
David Ben Gurion (centro), o primeiro Primeiro Ministro de Israel, declara, a 15 de Maio de 1948, a independência do Eatado de Israel, tornado possível pela votação da ONU da resolução 181, a 29 de Novembro de 1947, que partiria a Palestina em dois territórios - um governado por árabes e outro por judeus Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
Por detrás de arame farpado, prisioneiros árabes, capturados por Israel durante a guerra de 1948, aguardam pela distribuição de comida
Por detrás de arame farpado, prisioneiros árabes, capturados por Israel durante a guerra de 1948, aguardam pela distribuição de comida Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
Árabes rendem-se às tropas judaicas na cidade de Ramle, perto de Telavive, durante a guerra de 1948
Árabes rendem-se às tropas judaicas na cidade de Ramle, perto de Telavive, durante a guerra de 1948 Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
Judeus recém-chegados de campos de concentração Nazi acenam a partir do interior do navio <i>S.S. Awarea</i>, a atracar no porto de Haifa, a 6 de Abril de 1948, cinco semanas após a fundação do Estado de Iarael. O navio trouxe imigrantes que tinham sido impedidos pelos britânicos de entrar na Palestina e foram reencaminhados para o Chipre. Israel absorveu, em 50 anos desde a sua fundação, mais de dois milhões de judeus da Europa,  Médio Oriente, Américas do Norte e do Sul, África.
Judeus recém-chegados de campos de concentração Nazi acenam a partir do interior do navio S.S. Awarea, a atracar no porto de Haifa, a 6 de Abril de 1948, cinco semanas após a fundação do Estado de Iarael. O navio trouxe imigrantes que tinham sido impedidos pelos britânicos de entrar na Palestina e foram reencaminhados para o Chipre. Israel absorveu, em 50 anos desde a sua fundação, mais de dois milhões de judeus da Europa, Médio Oriente, Américas do Norte e do Sul, África. Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
Judeus recém-chegados a Israel são acolhidos em tendas, em Beit Lid, após o Holocausto, que ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial. Israel absorveu mais de dois milhões de judeus nos primeiros cinquenta anos de existência (entre 1948 e 1998) - entre eles, imigrantes judeus da Europa, do Médio Oriente, Américas do Norte e do Sul, e de Àfrica, que foram atraídos por promessas de abrigo, protecção contra o anti-semitismo e melhores condições de vida. Entre os imigrantes estão 250 mil sobreviventes do Holocausto.
Judeus recém-chegados a Israel são acolhidos em tendas, em Beit Lid, após o Holocausto, que ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial. Israel absorveu mais de dois milhões de judeus nos primeiros cinquenta anos de existência (entre 1948 e 1998) - entre eles, imigrantes judeus da Europa, do Médio Oriente, Américas do Norte e do Sul, e de Àfrica, que foram atraídos por promessas de abrigo, protecção contra o anti-semitismo e melhores condições de vida. Entre os imigrantes estão 250 mil sobreviventes do Holocausto. Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
Imigrantes judeus do Iémen num acampamento, em 1949, são visitados por enfermeiros israelitas. Muitos imigrantes judeus com origem no Norte de África e do Médio Oriente, foram enviados para cidades em desenvolvimento à sua chegada, enquanto a maioria dos judeus europeus, Asquenazes, puderam começar as suas vidas nas cidades já formadas, com empregos promissores. A maioria dos Iemenitas chegaram a Israel durante a "Operação Tapete mágico", com a ajuda dos governos britânico e norte-americano.
Imigrantes judeus do Iémen num acampamento, em 1949, são visitados por enfermeiros israelitas. Muitos imigrantes judeus com origem no Norte de África e do Médio Oriente, foram enviados para cidades em desenvolvimento à sua chegada, enquanto a maioria dos judeus europeus, Asquenazes, puderam começar as suas vidas nas cidades já formadas, com empregos promissores. A maioria dos Iemenitas chegaram a Israel durante a "Operação Tapete mágico", com a ajuda dos governos britânico e norte-americano. Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
Fotografia das Nações Unidas mostra mulheres palestinianas transportando os seus pertences no campo de refugiados Naher al-Bared, perto da cidade de Tripoli, no norte do Líbano, durante a guerra de 1948
Fotografia das Nações Unidas mostra mulheres palestinianas transportando os seus pertences no campo de refugiados Naher al-Bared, perto da cidade de Tripoli, no norte do Líbano, durante a guerra de 1948 Imagem fornecida à Reuters pelas Nações Unidas
Fotografia das Nações Unidas mostra refugiado palestiniano idoso no campo de refugiados de Jabal el-Hussein, na Jordânia, circa 1948
Fotografia das Nações Unidas mostra refugiado palestiniano idoso no campo de refugiados de Jabal el-Hussein, na Jordânia, circa 1948 Imagem fornecida à Reuters pelas Nações Unidas
Mulheres judias em exercícios para integração nas Forças de Defesa Israelita (IDF). Marcham numa base militar algures em Israel.
Mulheres judias em exercícios para integração nas Forças de Defesa Israelita (IDF). Marcham numa base militar algures em Israel. Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
Pessoas caminham na rua perto das ruínas de uma casa destruída durante a guerra de 1948, no norte da Galileia - que, de acordo com a resolução 181 da ONU, seria, após 1948, território árabe. 1 de Maio de 1949.
Pessoas caminham na rua perto das ruínas de uma casa destruída durante a guerra de 1948, no norte da Galileia - que, de acordo com a resolução 181 da ONU, seria, após 1948, território árabe. 1 de Maio de 1949. REUTERS/Zoltan Kluger/GPO/Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
Tropas israelitas em acção perto de uma aldeia árabe não identificada, na região da Galileia, durante os primeiros dias de guerra, em 1948
Tropas israelitas em acção perto de uma aldeia árabe não identificada, na região da Galileia, durante os primeiros dias de guerra, em 1948 Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
No dia que se seguiu à declaração de independência de Israel, um grupo de guerrilheiros do grupo Hagana, onde se incluem mulheres, celebra o controlo da cidade árabe de Jaffa, no sul de Telavive
No dia que se seguiu à declaração de independência de Israel, um grupo de guerrilheiros do grupo Hagana, onde se incluem mulheres, celebra o controlo da cidade árabe de Jaffa, no sul de Telavive Imagem fornecida à Reuters pelo governo de Israel
No campo de refugiados Mia Mia, no Líbano, perto do antigo porto de Saida. Uma jovem refugiada e a sua irmã no interior do campo de refugiados. As tendas foram substituídas por cabanas anos depois de esta imagem ter sido feita, e depois disso foram trocadas por pré-fabricados e abrigos de carácter permanente. Quando os refugiados foram forçados a abandonar as suas casas, na Palestina, em 1948, aquilo de que mais precisavam era de um abrigo. As tendas foram montadas com resposta de emergência, primeiro por agências de voluntários e, de Maio de 1950 em diante, pela UNRWA.
No campo de refugiados Mia Mia, no Líbano, perto do antigo porto de Saida. Uma jovem refugiada e a sua irmã no interior do campo de refugiados. As tendas foram substituídas por cabanas anos depois de esta imagem ter sido feita, e depois disso foram trocadas por pré-fabricados e abrigos de carácter permanente. Quando os refugiados foram forçados a abandonar as suas casas, na Palestina, em 1948, aquilo de que mais precisavam era de um abrigo. As tendas foram montadas com resposta de emergência, primeiro por agências de voluntários e, de Maio de 1950 em diante, pela UNRWA. ©1950 Arquivo da ONU / Myrtle Winter Chaumeny