Compra e renaturalização de Alagoas Brancas vão custar 4,43 milhões de euros

Fundo Ambiental doa 3,67 milhões de euros ao Município de Lagoa para aquisição de importante zona húmida da cidade algarvia. Parque estará pronto no fim de 2025, diz ministério.

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As Alagoas Brancas são uma importante zona húmida no Algarve Guillermo Vidal

A compra e a renaturalização das Alagoas Brancas, uma importante zona húmida na cidade de Lagoa, no Algarve, vai custar ao todo 4,43 milhões de euros, de acordo com um comunicado divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério do Ambiente e da Acção Climática (MAAC). Parte desse montante virá do Fundo Ambiental, que vai servir para adquirir nove hectares do terreno e transformá-lo num “Parque Natural da Cidade de Lagoa”, avança a nota do MAAC.

O Fundo Ambiental do MAAC já “assinou um protocolo com o Município de Lagoa que permitirá a aquisição de terrenos nas Alagoas Brancas”, lê-se no comunicado. A verba que o fundo transferiu para a câmara foi de 3,67 milhões de euros, como o PÚBLICO já tinha noticiado em Dezembro.

As Alagoas Brancas têm cerca de seis hectares e são visitadas por mais de cem espécies de aves ao longo do ano. O espaço também serve de habitat para outros animais, alguns deles em risco de extinção, como o cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis). Vários lotes dos terrenos estavam para ser transformados num parque comercial pela empresa Edifícios Atlântico S.A..

A empresa chegou a iniciar obras nos terrenos, destruindo uma parte daquele lugar. Mas o grupo de cidadãos Salvar as Alagoas Brancas, várias organizações ambientais e partidos políticos conseguiram travar este processo nos últimos anos, num embate que foi sendo contado pelo PÚBLICO em várias reportagens e notícias.

O MAAC “empenhou-se em encontrar a melhor solução para, em articulação com o município de Lagoa, proceder à salvaguarda e gestão adequada desta zona húmida”, lê-se no comunicado.

Além do investimento do Fundo Ambiental, a Câmara de Lagoa ficará responsável pelo “projecto de renaturalização, de forma a criar uma área de valor natural que permita a visitação e a fruição deste espaço, e será alvo de parecer do ICNF [Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas]”, lê-se no comunicado do ministério. O custo desse trabalho será de 760.000 euros e a previsão da conclusão do parque é “final de 2025”, avança o ministério.