Retrato de Velázquez que poderia fixar novo recorde para o pintor já não irá a leilão

Obra já não consta do site da leiloeira Sotheby’s, que esperava licitações de 32 milhões de euros — o dobro do máximo alguma vez atingido por uma pintura de Velázquez.

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Isabel de Borbón Sotheby's

O retrato Isabel de Borbón, Rainha de Espanha (1632), de Diego Velázquez, deixou de constar do site da Sotheby’s, que ia leiloar esta importante e rara pintura do mestre espanhol em Fevereiro, na sua sede em Nova Iorque.

No domingo, a única informação sobre a obra que surgia no site da leiloeira era “licitação encerrada”, adiantou a agência EFE, em notícia reproduzida pelo El País. Esta segunda-feira, a pintura já nem aparece quando se digita o nome de Velázquez na barra de pesquisa — de resto, nenhuma obra do pintor do século XVII consta do rol de quaisquer leilões futuros da Sothebys.

A “interpretação de alguns especialistas” não identificados pela EFE é de que esta alteração poderá ficar a dever-se à compra da obra “por parte de um prestigiado museu americano”. A agência de notícias espanhola tentou contactar a Sotheby’s de Nova Iorque, mas a sede da leiloeira está temporariamente encerrada, devido ao período festivo, e só reabrirá a 2 de Janeiro.

Nascida em 1602, Isabel de Borbón, filha de Henrique IV de França e de Marie de Médici, casou-se aos 13 anos com o futuro Filipe IV de Espanha, III de Portugal, no período da União Ibérica. Diego Velázquez, grande mestre da Idade de Ouro, tornou-se o pintor oficial da corte espanhola em 1624. O retrato da rainha foi executado em meados da década de 1620, mas o artista voltaria à pintura em 1631, terminando-a definitivamente no ano seguinte.

A obra viria a ser pendurada no palácio do Bom Retiro, nos arredores de Madrid. Em 1808, durante as invasões napoleónicas, foi uma das muitas pinturas pilhadas e levadas para França. Exposto na Galeria Espanhola do Louvre, o retrato seria vendido em leilão, no final de década de 1830, ao mercador inglês Henry Huth, em cuja família se manteve até 1950. Segundo a Sotheby’s, os seus últimos proprietários tê-lo-ão adquirido em 1978.​

O leilão deste retrato real estava a gerar enorme expectativa no mundo leiloeiro porque há mais de 50 anos que uma obra tão significativa de Velázquez não aparecia no mercado. Em 1970, o seu Juan de Pareja tornou-se a mais cara pintura alguma vez leiloada (2,68 milhões de euros, montante que entretanto já foi batido inúmeras vezes). A Sotheby’s esperava que Isabel de Borbón, Rainha de Espanha amealhasse licitações na ordem dos 32 milhões de euros, o que duplicaria o recorde para uma obra de Velázquez, fixado em 2007 nos 15,5 milhões de euros, com Santa Rufina.

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