Britânicos apoiam “aproximação pragmática” do Reino Unido à União Europeia

Relatório de um instituto independente indica que um futuro governo do Partido Trabalhista tem margem para desenvolver “uma nova relação, menos fracturante do que antes”, com os 27.

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O líder trabalhista, Keir Starmer, "tem espaço para aumentar a cooperação de uma forma pragmática", diz o estudo PHIL NOBLE/Reuters
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Mais de metade da população britânica defende agora, sete anos depois do referendo do "Brexit", que o Reino Unido deve privilegiar as relações com a União Europeia "de forma pragmática" — e mais do que com os Estados Unidos e com os países da Commonwealth — para garantir paz, prosperidade e segurança no território, segundo um estudo do instituto independente British Future.

O estudo, citado neste sábado pelo jornal Guardian, indica que 52% dos mais de dois mil inquiridos querem uma relação estreita entre o Reino Unido e a União Europeia, contra 12% que defendem o contrário e 27% que não desejam qualquer alteração à situação actual.

Segundo os autores do estudo, a principal conclusão é a de que existe apoio suficiente no país para que o próximo governo britânico — que deverá ser liderado pelo Partido Trabalhista, segundo as sondagens — possa propor e aprovar medidas, em vários sectores, no sentido de reaproximar os dois lados.

"Há um apoio maioritário a um debate menos crispado sobre a relação do Reino Unido com a União Europeia, tanto entre os que votaram a favor do 'Brexit' (56%), como entre os que votaram contra a saída (73%), e também entre os conservadores (61%) e os trabalhistas (68%)", diz o relatório. "Além disso, o apoio a um debate menos crispado é consistente: cerca de seis em cada dez pessoas de todos os grupos etários que tinham idade para votar na altura do referendo."

"Isto sugere um potencial para uma relação futura revista e menos fracturante do que anteriormente", lê-se no mesmo relatório.

O director do British Future, Sunder Katwala, sublinhou que os números do relatório não significam que um futuro governo trabalhista terá margem de manobra para uma medida tão radical como uma nova proposta de adesão à União Europeia; se isso acontecesse, o potencial para um debate menos crispado sobre as relações bilaterais poderia desaparecer.

Segundo Katwala, o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, terá "mais espaço para aumentar a cooperação de uma forma pragmática, apesar de não se saber que vontade existe em Bruxelas para que isso aconteça".

"O desafio para os que defendem uma posição ainda mais ousada por parte de um futuro governo — uma reavaliação de temas como o mercado comum, a liberdade de circulação, ou até mesmo um projecto de adesão à União Europeia — é que isso levaria à reabertura do debate sobre o 'Brexit' e ao regresso dos argumentos fracturantes", diz o director do British Future, citado pelo Guardian.

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