Sismo

Alepo, a cidade síria (duplamente) destruída pela guerra e pelo terramoto

Antes do sismo que afectou o Noroeste da Síria, Alepo já era uma cidade dilapidada pela guerra. Fome, frio e epidemias de cólera já faziam parte do quotidiano dos muitos refugiados internos que ali se estabeleceram. O violento terramoto de 6 de Fevereiro provocou uma segunda vaga de destruição. E agora?

Homem sobre uma pilha de destroços de um edifício que colapsou devido ao terramoto que afectou a Turquia e a Síria, no dia 6 de Fevereiro de 2023. As operações de salvamento mantêm-se em curso. REUTERS/Firas Makdesi
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Homem sobre uma pilha de destroços de um edifício que colapsou devido ao terramoto que afectou a Turquia e a Síria, no dia 6 de Fevereiro de 2023. As operações de salvamento mantêm-se em curso. REUTERS/Firas Makdesi

O som de edifícios em colapso não é novo para os residentes da cidade de Alepo, na Síria, país em guerra civil desde 2011. No dia 6 de Fevereiro, no entanto, o estrondo foi acompanhado de um chão que fugia debaixo dos pés, de tectos que desmoronavam sobre as cabeças. Uma vez mais, milhares escavam por entre destroços numa aflitiva busca por sobreviventes do violento sismo que atingiu o Sudeste da Turquia e o Noroeste da Síria.

Ao longo dos mais de dez anos de guerra civil, o país mergulhou numa profunda crise económica que transformou 13 milhões de sírios em refugiados, internos e externos. A ONU confirma a morte de mais 306 mil civis em consequência directa da guerra; quem sobrevive fá-lo sob o manto de pobreza que cobre o território.

Em Maio de 2022, a Al Jazeera dava conta de que Síria atravessava o período económico mais crítico desde o início da guerra. A escassez de combustíveis no país tornou o fornecimento eléctrico reduzido e esparso. Sem água quente para tomar banho e sem energia para preparar refeições, os sírios recorreram a todo o tipo de materiais para provocar combustão, desde óleo industrial até roupas ou lixo. Os transportes públicos foram suspensos devido à falta de combustível, deixando milhares sem forma de se deslocar para os seus empregos.

Em Setembro do ano passado, um surto de cólera que teve origem no rio Eufrates assolou o país, afectando sobretudo a região Norte, agravando as condições de vida da população. Em Novembro, os Médicos Sem Fronteiras davam conta da existência de mais de 12 mil casos activos, as Nações Unidas suspeitam da existência de mais de 60 mil casos. Em comparação com o período pré-guerra, segundo dados da Unicef, mantêm-se em funcionamento menos de metade das infra-estruturas de saúde; os danos nos equipamentos e as perdas de pessoal médico, no entanto, condicionam a resposta das que ainda resistem. A pressão causada pela pandemia de covid-19 sobre o sistema de saúde deteriorou o acesso e a qualidade do serviço prestado à população. 

Assim, agora vive-se na Síria uma situação de emergência num cenário de emergência. Até ao momento, já foram declarados 1700 óbitos em consequência do sismo. As equipas de salvamento lidam com condições climáticas adversas nas buscas por sobreviventes.

Homem sobre uma pilha de destroços, no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Jandaris, Síria. 6 de Fevereiro de 2023.
Homem sobre uma pilha de destroços, no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Jandaris, Síria. 6 de Fevereiro de 2023. REUTERS/Mahmoud Hassano
Pessoas embrulhadas em cobertores observam as operações de salvamento que continuam a sua busca por sobreviventes, no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 7 de Fevereiro de 2023.
Pessoas embrulhadas em cobertores observam as operações de salvamento que continuam a sua busca por sobreviventes, no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 7 de Fevereiro de 2023. REUTERS/Firas Makdesi
Pessoas sobre os destroços de um edifício que colapsou no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 6 de Fevereiro de 2023.
Pessoas sobre os destroços de um edifício que colapsou no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 6 de Fevereiro de 2023. SANA
As pessoas abandonam as suas casas no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 6 de Fevereiro de 2023.
As pessoas abandonam as suas casas no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 6 de Fevereiro de 2023. REUTERS/Firas Makdesi
Homem sentado junto dos corpos de vítimas do sismo, que estão dispostos sobre o passeio, cobertos por mantas brancas, no seguimento do terramoto que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 6 de Fevereiro de 2023.
Homem sentado junto dos corpos de vítimas do sismo, que estão dispostos sobre o passeio, cobertos por mantas brancas, no seguimento do terramoto que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 6 de Fevereiro de 2023. REUTERS/Firas Makdesi
Pessoas junto dos corpos de vítimas do terramoto, que estão dispostos sobre o passeio, cobertos por mantas brancas, no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 6 de Fevereiro de 2023.
Pessoas junto dos corpos de vítimas do terramoto, que estão dispostos sobre o passeio, cobertos por mantas brancas, no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 6 de Fevereiro de 2023. REUTERS/Firas Makdesi
A fachada de um edifício destruído pelo sismo, em Alepo. 7 de Fevereiro de 2023.
A fachada de um edifício destruído pelo sismo, em Alepo. 7 de Fevereiro de 2023. REUTERS/Firas Makdesi
As pessoas reúnem-se junto de uma pilha de destroços, onde decorrem operações de busca por sobreviventes no seguimento do terramoto que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 7 de Fevereiro de 2023.
As pessoas reúnem-se junto de uma pilha de destroços, onde decorrem operações de busca por sobreviventes no seguimento do terramoto que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 7 de Fevereiro de 2023. REUTERS/Firas Makdesi
As pessoas buscam por sobreviventes entre os destroços, no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 6 de Fevereiro de 2023.
As pessoas buscam por sobreviventes entre os destroços, no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 6 de Fevereiro de 2023. REUTERS/Firas Makdesi
Pessoas observam, a partir do interior de um carro, as operações de busca e salvamento continuam a decorrer na cidade de Alepo, Síria, na sequência do terramoto que afectou a Turquia e a Síria. 7 de Fevereiro de 2023.
Pessoas observam, a partir do interior de um carro, as operações de busca e salvamento continuam a decorrer na cidade de Alepo, Síria, na sequência do terramoto que afectou a Turquia e a Síria. 7 de Fevereiro de 2023. REUTERS/Firas Makdesi
Pessoas passam junto a uma pilha de destroços de edifícios que ruíram no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 7 de Fevereiro de 2023.
Pessoas passam junto a uma pilha de destroços de edifícios que ruíram no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 7 de Fevereiro de 2023. REUTERS/Firas Makdesi
Membros das operações de resgate do exército sírio procuram sobreviventes sob os destroços de edifícios que colapsaram no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 6 de Fevereiro de 2023.
Membros das operações de resgate do exército sírio procuram sobreviventes sob os destroços de edifícios que colapsaram no seguimento do sismo que atingiu a Síria e a Turquia, em Alepo, Síria. 6 de Fevereiro de 2023. REUTERS/Firas Makdesi
Edifício que não resistiu à violência do terramoto, em Latakia, Síria. 6 de Fevereiro de 2023.
Edifício que não resistiu à violência do terramoto, em Latakia, Síria. 6 de Fevereiro de 2023. SANA