A areia nos mecanismos de Vasco Mendonça

O compositor lança o álbum Play Off, um desassossegado conjunto de composições escritas para o grupo de percussão Drumming, e apresenta também no Porto e em Loulé a ópera O Lobo, a Menina e o Caçador.

Foto
Vasco Mendonça Nuno Ferreira Santos

Acontece muitas vezes Vasco Mendonça escutar comentários, raiados de incredulidade, que se focam no quanto uma nova criação sua é substancialmente diferente daquilo que tinha feito antes. E apesar de serem palavras nem sempre apontadas ao elogio, o compositor costuma recebê-las enquanto tal. Não por estar absolutamente convencido de que cada nova obra sua merece ser hifenizada com o parentesco de prima, mas porque a procura por fugir à inércia é algo que lhe alimenta a actividade e a imaginação musical. Tenta, por isso, colocar-se em lugares onde se veja “obrigado a procurar soluções que até podem ser temporárias, mas que fazem parte da evolução” enquanto criador. “O contrário”, resume em conversa com o Ípsilon, “é estagnar em qualquer coisa que nos define e pela qual os outros nos definem também.” Até porque a marca autoral se manifesta sempre pelas próprias características da linguagem do compositor e a fidelidade excessiva às mesmas ferramentas impede, por outro lado, um universo criativo em expansão, antes contribuindo para a sua retracção.

Sugerir correcção
Comentar