O Café Joyeux convida-nos a uma “troca de olhares com a diferença”

Com chegada a Lisboa há um ano, o projecto criado em França, ambiciona “chegar a toda a parte”, criando maiores oportunidades de formação para jovens com autismo e trissomia 21.

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O espaço do Café Joyeux, em São Bento, em Lisboa abriu há um ano DR

Pedro é um dos equipiers – designação utilizada para os colaboradores – que serve o pequeno-almoço às mesas do Café Joyeux, em São Bento, Lisboa. Sempre bem-disposto, como outros membros da equipa referem, o jovem de 22 anos serve sumo de laranja aos convidados presentes para o evento de celebração do 1.º aniversário do espaço. Foi com o lema de promover a troca de olhares com a diferença”, como partilha Filipa Pinto Coelho, presidente da associação VilacomVida, que o projecto Café Joyeux abriu portas no n.º 26 da Calçada da Estrela, em Lisboa, a 23 de Novembro de 2021.

O projecto Joyeux, (“alegria” em francês), nasceu em França, em 2017, tendo chegado a Portugal, o primeiro país a receber este projecto internacionalmente, pelas mãos da associação VilacomVida. Esta organização sem fins lucrativos, fundada, em 2016, tem como objectivo auxiliar pessoas com trissomia 21 ou perturbações do espectro do autismo a inserirem-se na sociedade, onde “podem ser efectivamente felizes”, declara o site da associação.

No espaço onde o amarelo é rei e os sorrisos dos colaboradores contagiam, o propósito é simples: “Empregar para formar pessoas com dificuldades intelectuais e do desenvolvimento”, explica a presidente executiva da associação VilacomVida, nesta quarta-feira.

Pedro, que trabalha na loja desde a abertura, considera a experiência única. “Tem sido uma experiência diferente, que nunca tinha tido, e onde aprendi muitas coisas”, partilha, com um sorriso, acrescentando que, neste espaço, a felicidade pauta o seu dia-a-dia.

​“Provámos que temos um conceito que funciona e um modelo que pode ser replicável”, partilha Filipa Pinto Coelho sobre o balanço deste ano. Aquele que dizem ser o primeiro café solidário e inclusivo no país conta já com dois espaços em Lisboa: o de São Bento e outro no edifício da Ageas Portugal, na Praça Príncipe Perfeito, inserido num contexto de empresa.

Com a ambição de abrir mais seis espaços até 2026, a presidente-executiva espera que o projecto, que já acompanhou mais de 60 jovens em treino, “possa estar em toda a parte e possa ajudar outras empresas a perceber que devem apostar na contratação para depois formar”.

​Ana Castro Santos, coordenadora e psicóloga responsável pelo acompanhamento feito a estes jovens, deixa claro que os critérios por trás do recrutamento são simples: motivação e vontade para aprender.

Pedro, um dos colaboradores do café de São Bento Matilde Fieschi
Calçada da Estrela, em São Bento Café Joyeux
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Pedro, um dos colaboradores do café de São Bento Matilde Fieschi

“Não precisam ter qualquer experiência na área da restauração porque a ideia é aprenderem aqui todos os processos de raiz – servir à mesa, ser barista, o serviço de cozinha e caixa”, explica a responsável.

Encontra-se já em curso a preparação para a abertura do terceiro café, no centro histórico de Cascais, prevista para dia 20 de Março de 2023, data em que se assinala o Dia Internacional da Felicidade.

As novidades não param por aqui, dizem. A equipa do Joyeux lança, a partir desta quinta-feira, uma linha de cafés que pretende possibilitar ao consumidor “consumir, na sua casa, um café de qualidade, com preços compatíveis com o mercado, ao mesmo tempo que sente que está a contribuir para uma causa”, explica a dirigente.

Todos os lucros obtidos com as vendas serão utilizados para a abertura de novos espaços, sendo possível comprar esta gama de produtos quer nas lojas como, brevemente, no site oficial da associação.


Texto editado por Bárbara Wong

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