PETA vai dar um milhão de dólares a quem encontrar uma alternativa à lã

O objectivo é encontrar um material biodegradável ou reciclável que se assemelhe à lã em peso, densidade e capacidade de aquecer. O concurso está aberto até Julho de 2023.

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A associação norte-americana argumenta que as ovelhas são vítima de maus-tratos Adriano Miranda/arquivo

Chegou o frio e, com ele, as camisolas de lã. Mas, afinal, estas podem não ser a melhor opção para o ambiente e para o bem-estar dos animais, diz a associação norte-americana PETA, que acaba de lançar um concurso para encontrar uma alternativa vegan para a lã. O prémio, lançado esta semana, está avaliado num milhão de dólares (cerca de 965 mil euros).

O objectivo do Vegan Wool Challenge é encontrar uma alternativa o mais semelhante possível à lã de ovelha na sua textura, funcionalidade e aparência. “De flores e fruta, a cânhamo e soja, as opções são ilimitadas no que toca a criar roupa e acessórios sem produtos de origem animal”, lembra a vice-presidente para a Europa da PETA, Mimi Bekhechi, citada pelo The Guardian.

Utilizar biomateriais na moda não é novidade e tem sido uma tendência nas colecções dos criadores nas últimas semanas de moda. Já se criaram materiais semelhantes à lã a partir de coco e cânhamo, mas nunca de forma industrial, que permitisse a sua utilização por grandes marcas de moda.

O micélio, por exemplo, uma alternativa à pele bovina, já está mais avançado e é utilizado por grandes casas de moda, como a Balenciaga ou a Stella McCartney. Os investimentos nesta indústria, avança a organização Material Innovation Initiative, já atingiram os 2,22 mil milhões de euros desde 2015.

Nas regras do concurso, aberto até Julho de 2023, a PETA determina que o material vencedor deverá ser biodegradável ou reciclável e há vários critérios a cumprir no que toca à semelhança à lã em diferentes detalhes: peso, densidade e capacidade de aquecer. Além de mostrarem uma amostra do tecido, os concorrentes terão de apresentar já um plano de produção.

Quem vencer terá a oportunidade de produzir o material com “uma das dez marcas mais importante do retalho globalmente” e o resultado estará disponível nas lojas até Janeiro de 2024.

Qual é o problema da lã?

No site da PETA, há vários vídeos que mostram os maus-tratos de que são vítimas as ovelhas, com imagens explícitas de violência, em 117 quintas de países como a Austrália, os Estados Unidos ou o Reino Unido. Além disso, acrescentam, “as ovelhas são gentis e experienciam — como os humanos — medo, stress e dor”.

No que toca ao impacto ambiental, de acordo com um relatório da Global Fashion Agenda de 2017, a lã é o quarto pior material para a natureza, apenas sendo ultrapassada pelos vários tipos de algodão. Ao contrário de que o se poderia pensar, por serem derivados do plástico, o poliéster, o acrílico ou o raiom são menos prejudiciais para o planeta, diz o mesmo documento.

A Organização Internacional de Têxteis de Lã não tardou a refutar estas conclusões, evocando a durabilidade deste material. Além disso, argumenta, as peças em lã são normalmente usadas mais vezes pelos seus utilizadores antes de serem lavadas, poupando, assim, água. E arremata: só apenas 5% do peso das roupas doadas pelos consumidores para reciclagem correspondem a lã.

“A lã é um dos materiais mais sustentáveis para o homem. É renovável, biodegradável, e não contribui para os aterros da mesma forma que os produtos sintéticos”, defende, ao The Guardian, o director de marketing da associação de lãs britânica, Graham Clark.

Além disso, continua o responsável, ao contrário de o que acontece com o poliéster, a lá não é fonte de microplásticos para os oceanos. A associação promete que o processo de tosquia é completamente indolor para as ovelhas e, aliás, absolutamente necessário para o seu bem-estar. Mundialmente, a indústria das lãs estava avaliada, segundos dados de 2018, em 4,55 mil milhões de euros.

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