Trás-os-Montes

Terra Fria, Alma Quente: as pessoas e as paisagens que não vivem sem os burros

A exposição de fotografia Terra Fria, Alma Quente, de Cláudia Costa, pode ser vista de 29 de Outubro a 18 de Dezembro no Posto de Turismo de Mogadouro.

Imagem incluída na exposição de fotografia "Terra Fria, Alma Quente" Cláudia Costa
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Imagem incluída na exposição de fotografia "Terra Fria, Alma Quente" Cláudia Costa

"Um pastor sem rosto que conduz o rebanho debaixo de neve. O sorriso de quem tricota na rua no conforto da Primavera. A manta de retalhos desenhada pelos campos e o olhar doce de cães e burros. Fragmentos da vida quotidiana que marcam o ritmo e a continuidade de um lugar."

“Era apaixonada por burros, mas nunca imaginei ter um”. Há uns meses, durante uma ida à dentista e ao ferrador, Cláudia Costa (Lisboa, 1984) contava à Fugas a sua história, que já se confunde com a do Livro Genealógico da Raça Asinina de Miranda do qual é gestora. Por causa deles, dos burros, em Janeiro de 2011 trocou a cidade pelo campo, iniciando uma viagem de descoberta pelo nordeste transmontano e sua ruralidade.

Se há uns anos “nem sabia o que os burros comiam”, hoje a militante da AEPGA, Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, sabe tudo e mais qualquer coisa sobre os burros e os burrancos, o sotaque, as paisagens da região e as pessoas que, pouco a pouco, vão acarinhando os animais, que durante gerações foram apenas burros de carga. "Já são muitos anos. Já sou mais mirandesa."

Cláudia acabou por se deixar ficar por estas terras que a inspiraram, retratando o quotidiano que a rodeia através da fotografia, sempre de forma "amadora e livre".<