O Dante do Griot: da acção à poesia

Convidado a trabalhar A Divina Comédia com o Teatro Griot, Miguel Loureiro encena No Meio do Caminho, no Cineteatro Louletano, a 7 de Outubro, e na Malaposta a 22 e 23. Uma “tentativa oral” que parte de Dante e acaba em Tomás de Aquino.

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Joana Linda

Embora a tentação de levar as palavras de Dante Alighieri para palcos e estúdios, de extrair uma forma visual do poema épico do escritor italiano, seja grande e quase pecaminosa em si mesma, não há como fugir à evidência de que não, A Divina Comédia não foi escrita a pensar em actores ou em teatros, em corpos de carne e osso a assumirem a infindável e onírica travessia de Dante levado pelo poeta Virgílio e pela sua amada Beatriz, em busca da sua salvação. E será essa impossibilidade de “agarrar” a poesia de Dante que, afinal, torna a sua obra tão esmagadora e de encantos tão irresistíveis. Quando o Teatro Griot convidou Miguel Loureiro para trabalharem juntos num espectáculo, não havia ainda um texto fechado e, apesar de não ser essa a sua ideia inicial, o encenador não rejeitou a hipótese quando Zia Soares, fundadora do Griot, lhe propôs trabalharem sobre A Divina Comédia.

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