Sereias e lamuriantes

Os lamuriantes sabem, mesmo se de forma não consciente, que a representatividade importa, senão não se incomodariam tanto com estas questões e não entrariam numa espécie de pânico de grande substituição.

Esta semana, uma aluna minha confessou que o seu sonho era ser condutora de veículos pesados, mas como nunca tinha visto uma mulher nessa atividade pretende então dirigir-se para um diploma que lhe permita ter um emprego na área da logística e contabilidade. “Professora, vou ficar sentada no escritório”, disse-me ela pouco entusiasmada. Tanto eu como as colegas que ouviram a conversa dissemos-lhe que seguramente havia mulheres nessa atividade, mesmo sendo poucas, e que caso assim não fosse ela até poderia ser a primeira e ser ela a servir de exemplo. A cara dela iluminou-se. Eis uma jovem de 17 anos que deve decidir do seu futuro e se autocensura por falta de modelos. Ela não é caso único e confirma de forma inequívoca que a representação importa.

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