Câmara de Coimbra quer aproveitar Centro de Arte para fazer quarteirão dedicado às artes

O projecto propõe a requalificação do edifício da PSP, da Escola Secundária Jaime Cortesão e dos edifícios da Manutenção Militar.

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O arquitecto estima que o plano mais ambicioso dos três que apresentou teria um custo de cerca de 18 milhões de euros fvl Fernando Veludo/NFACTOS

O estudo para a nova localização do Centro de Arte Contemporânea de Coimbra propõe uma área de exposição quase cinco vezes superior e uma requalificação de todo o quarteirão, atribuindo uma vocação artística à Escola Jaime Cortesão, foi anunciado na segunda-feira.

O executivo da Câmara de Coimbra debateu o estudo prévio para o novo Centro de Arte Contemporânea de Coimbra, previamente pensado para a Manutenção Militar, apresentado pelo arquitecto João Mendes Ribeiro e que teve como ponto de partida trabalhos de alunos de mestrado de Arquitectura da Universidade de Coimbra em torno dos antigos edifícios do Mosteiro de Santa Cruz.

O projecto propõe a requalificação da área norte da rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes, englobando na sua intervenção o edifício da PSP, a Escola Secundária Jaime Cortesão e os edifícios da Manutenção Militar.

O Centro de Arte Contemporânea ocuparia parte do edifício da PSP até à Escola Jaime Cortesão, que seria relocalizada para os edifícios da Manutenção Militar, atribuindo-lhe um programa dedicado ao ensino artístico, à semelhança de escolas como a António Arroio, em Lisboa, ou a Soares dos Reis, no Porto.

O projecto prevê ainda a construção de um elemento arquitectónico vertical para recordar a antiga Torre dos Sinos, demolida em 1935, um parque de esculturas e uma espécie de rua interna que permitisse uma comunicação entre os vários edifícios, explicou João Mendes Ribeiro.

O espaço expositivo, em comparação com o anterior projecto, passa de cerca de 700 metros quadrados para 3200.

Para o arquitecto, a intervenção tornaria esta zona um “quarteirão dedicado às artes”, ao mesmo tempo que se requalificavam antigos edifícios do Mosteiro de Santa Cruz.

De acordo com João Mendes Ribeiro, o plano mais ambicioso dos três que apresentou teria um custo de cerca de 18 milhões de euros, com preços de 2020.

O projecto é uma proposta “ambiciosa” que daria “um outro valor à zona central da cidade”, afirmou na reunião o presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva, eleito pela coligação “Juntos Somos Coimbra” (PSD/CDS-PP/Nós, Cidadãos!/PPM/Aliança/RiR e Volt).

Apesar de admitir que este é um projecto para “nem um, nem dois”, mas sim três mandatos, José Manuel Silva defendeu que “Coimbra merece um projecto desta dimensão”.

Segundo o autarca, este é um primeiro passo “de um longo trajecto de trabalho”, realçando a importância de dialogar agora com instituições como a PSP ou o Ministério da Educação, mas também com a Direcção-Geral do Património Cultural, para assegurar que esta relocalização não implica uma perda da colecção ex-BPN, que está na posse do município.

A vereadora do PS Carina Gomes destacou a “origem e contexto” do processo, mas alertou precisamente para a necessidade de a autarquia assegurar que a relocalização do espaço não tenha implicações quanto à colecção que está à guarda do município.

José Manuel Silva salientou, por outro lado, a importância de haver uma unanimidade em torno do projecto, “para Coimbra ter a força para o concretizar”.

“Este projecto tem uma coisa extraordinária: pega no antigo, na história, numa zona central, e reabilita-a, dá-lhe uma leitura contemporânea, sem deitar fora o passado. Tenho grande simpatia pelo que está aqui”, afirmou, por seu turno, o vereador da CDU, Francisco Queirós.

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