Com menos turistas na Tailândia, um livestream de elefantes é o último esforço para os salvar

Com menos turistas na Tailândia, várias famílias tiverem de arranjar novas fontes de rendimento. Siriporn Sapmak faz vídeos com os elefantes, para conseguir angariar algum dinheiro para sobreviver.

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Um elefante bebé com a mãe e um cidadão, são transmitidos em directo nas redes sociais na aldeia de Ban Ta Klang Reuters/JORGE SILVA

Na aldeia de Ban Ta Klang, na Tailândia, Siriporn Sapmak começa o dia a fazer vídeos em livestream com dois elefantes, para partilhar nas redes sociais e angariar algum dinheiro para conseguir sobreviver.

A jovem de 23 anos trata destes animais desde que era criança e todas as manhãs posiciona o telemóvel para gravar os elefantes enquanto os alimenta com bananas ou enquanto eles caminham pelas traseiras da casa onde habita.

Siriporn segura o equipamento utilizado para fazer vídeos com os elefantes na aldeia de Ban Ta Klang Reuters/JORGE SILVA
Um elefante bebé com a mãe e um cidadão, são transmitidos em directo nas redes sociais na aldeia de Ban Ta Klang Reuters/JORGE SILVA
Uma rapariga passa por um elefante enquanto Pailin Rayayoi, dono de um elefante, inicia a transmissão ao vivo nas redes sociais Reuters/JORGE SILVA
Jiranant Thongchalern, de 30 anos, numa mota enquanto segue o elefante Si-Daw Khamsaen para transmitir ao vivo nas redes sociais Reuters/JORGE SILVA
Uma mulher caminha ao lado de elefantes enquanto faz vídeos para as redes sociais Reuters/JORGE SILVA
Kaennapa Suksi prepara o telemóvel para transmitir em directo nas redes sociais os elefantes Reuters/JORGE SILVA
O dono do elefante senta-se em frente ao animal para gravar vídeos para as redes sociais Reuters/JORGE SILVA
Cidadãos da aldeia de Ban Ta Klang ao lado de um elefante Reuters/JORGE SILVA
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Reuters/JORGE SILVA

Com várias horas de vídeos publicados no TikTok e no Youtube, Siriporn consegue angariar cerca de mil baht (27,33 euros), o que diz ser insuficiente, uma vez que com esta quantia apenas consegue alimentar os dois elefantes durante um dia.

Esta é a nova fonte de rendimento da família de Siriporn. Antes da pandemia, a família conseguia ganhar dinheiro através da venda de fruta e da realização de espectáculos com elefantes na cidade tailandesa de Pattaya, no leste do país.

A família Sapmak, assim como muitos outros proprietários de elefantes na Tailândia, tiveram de regressar à aldeia natal devido à destruição dos campos de elefantes e à diminuição dos turistas causada pela quarentena obrigatória, que foi imposta para controlar a pandemia por covid-19.

Os vídeos de Siriporn nem sempre conseguem angariar donativos, o que leva a que em alguns dias não haja dinheiro, provocando a subnutrição dos elefantes. “Esperamos que os turistas voltem. Se eles regressarem, podemos parar com a gravação destes vídeos. Se voltarmos ao trabalho, conseguimos obter um rendimento (estável) para comprar erva para os elefantes comerem”, diz a jovem de 23 anos.

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Um elefante subnutrido é visto fora da casa de um cidadão da aldeia de Ban Ta Klang Reuters/JORGE SILVA

Edwin Wiek, fundador da associação Wildlife Friends Foundation Thailand, estima que pelo menos mil elefantes no país não tenham um “rendimento adequado” até regressarem mais turistas ao país do sudeste asiático.

De acordo com as agências oficiais, a Tailândia tem cerca de 3200 a 4000 elefantes em ambiente doméstico e cerca de 3500 elefantes em meio selvagem. Para tratar destes animais, o país precisa de encontrar “alguma forma” para obter orçamento para apoiar os elefantes, “caso contrário, vai ser difícil mantê-los vivos para a maioria das famílias”, aponta Edwin Wiek.

"São como família"

As famílias da aldeia de Ban Ta Klang, na província de Surin, cuidam dos elefantes há muitas gerações, tendo uma ligação especial com estes animais. Os espectáculos e passeios de elefantes são desde há muito populares entre os turistas, especialmente entre os chineses. Mas as críticas de grupos de defesa dos direitos dos animais, sobre a forma com os elefantes são tratados, têm originado um interesse especial pelo turismo de santuários.

Um elefante é forçado a jogar basquetebol durante um espectáculo para turistas locais na aldeia de Ban Ta Klang Reuters/JORGE SILVA
Dois elefantes tocam-se após actuarem numa exposição de pintura para turistas locais em Ban Ta Klang Reuters/JORGE SILVA
Turistas alimentam elefantes durante um espectáculo na aldeia de Ban Ta Klang Reuters/JORGE SILVA
Um jovem cavalga num elefante enquanto treina o animal para espectáculos turísticos na aldeia de Ba Ta Klang Reuters/JORGE SILVA
Homens empilham erva para alimentarem elefantes para fazerem um espectáculo turístico na aldeia de Ban Ta Klang Reuters/JORGE SILVA
Um elefante acorrentado debaixo da chuva na aldeia de Ban Ta Klang Reuters/JORGE SILVA
Elefantes acorrentados tocam-se com as trombas debaixo de um telhado na aldeia de Ban Ta Klang Reuters/JORGE SILVA
Um elefante é acorrentado ao lado de uma árvore enquanto é domesticado na aldeia de Ban Ta Klang Reuters/JORGE SILVA
Um homem chamado Im, de 70 anos, dá banho ao elefante Kam-Sang Reuters/JORGE SILVA
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“Estamos unidos, como membros da família. Sem os elefantes, não sabemos como será o nosso futuro. Temos muitas coisas hoje graças a estes animais”, lembra Pensri Sapmak, mãe de Siriporn, de 60 anos.

Segundo o Ministério da Pecuária da Tailândia, o governo do país deu 500 mil quilogramas de erva a várias províncias de maneira a ajudar a alimentar os elefantes. Porém, a família de Siriporn ainda não recebeu nenhum apoio por parte do Estado.

“Esta é uma grande questão nacional” e o governo planeia ajudar os elefantes e os tratadores, estando a preparar um conjunto de “medidas juntamente com um orçamento”, anunciou Sorawit Thanito, director-geral do Ministério da Pecuária da Tailândia.

Embora o governo tailandês esteja à espera do regresso de dez milhões de turistas ainda este ano, algumas pessoas acreditam que não será o suficiente para atrair de volta os proprietários de elefantes para os principais destinos turísticos, devido aos custos envolvidos.

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Pensri Sapmak, dona de um elefante, senta-se dentro de casa enquanto um dos elefantes descansa no quintal Reuters/JORGE SILVA

“Quem é que tem dinheiro agora para arranjar um camião e a necessária segurança para irem para estes locais e ter de volta o negócio quando os turistas regressarem?”, questiona Edwin Wiek.

Sobre esta situação, Pensri Sapmak não está muito esperançosa. “Alguns dias ganhamos algum dinheiro, outros não, o que significa que vai haver menos comida na mesa. Não vejo uma luz ao fundo do túnel.”

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