No que Guantánamo os transformou

Na guerra ao terrorismo, o Senhor X deveria dominar o prisioneiro Mohamedou Slahi. Torturou-o — e destruiu-se a si próprio. Passados 17 anos, os dois voltaram a falar um com o outro. Este trabalho, publicado pelo semanário alemão Die Zeit, foi o vencedor de um dos European Press Prize 2022 na categoria Distinguished Reporting Award. O 11 de Setembro foi há 21 anos.

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O homem que se autodenominava “Senhor X” em Guantánamo usava um passa-montanhas e óculos de sol espelhados quando torturava. A pessoa que ele estava a torturar não deveria ver a sua cara. Agora, passados 17 anos, o Senhor X está sentado em frente a uma roda de olaria na sua garagem, algures nos Estados Unidos. É um homem calvo com uma barba a ficar grisalha e tatuagens na nuca. As suas mãos, grandes e fortes, moldam um pedaço de barro castanho-acinzentado. A peça não vai ficar muito bonita, isso pode-se já perceber. Ele diz que a sua arte é mesmo assim, sente-se mais inclinado para a fealdade.

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