No livro de Carla Filipe, o comboio é uma viagem

No primeiro volume de Há Gente na Via de Carla Filipe, o leitor pode ser um inspector atento, um viajante distraído ou um passageiro com destino. Com imagens, cores e memórias de um país não muito distante, este é um livro de fotografias e textos que nos levam a uma viagem ao corpo do comboio.

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FILIPE BRAGA

Em 2014, nas páginas do Ípsilon, a artista Carla Filipe (Aveiro, 1973) disse à crítica de arte Luísa Soares de Oliveira: “Eu sou filha de ferroviários. E tudo que está aqui tem uma implicação para mim a nível pessoal”. A artista referia-se a uma condição social de classe (e não apenas a uma actividade) e falava da exposição da cauda à cabeça, no então Museu Berardo, mas as palavras, passados oitos anos, continuam vivas. Abra-se e folheie-se o volume I de Há Gente na Via lançado recentemente com o selo da Pierre Von Kleist. Este livro de artista, que reúne fotografias e texto, permite testemunhar, porventura com outra intensidade, a presença dessa condição biográfica. Sim, há muitos anos que o comboio e os caminhos-de-ferro em Portugal acompanham a vida e o trabalho de Carla Filipe (Aveiro, 1973).

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