Onde deixar as plantas durante as férias? No Porto, abriu um hotel (e hospital) para plantas

Pensado para os residentes do Porto, a The Floral Affairs, na Rua de Santa Catarina, tem um serviço de hotel e hospital para plantas, disponível até 30 de Setembro.

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Débora Pinguinha, proprietária do The Floral Affairs Paulo Pimenta

Aproximava-se o Verão quando Débora Pinguinha, ao ver uma vizinha passear o cão à porta da sua loja, teve uma ideia: “As pessoas têm onde deixar os cães, mas não onde deixar as plantas.”

Assim, desde Julho que este serviço está disponível na The Floral Affairs, o espaço que a florista de 39 anos abriu no início do ano no n.º 890 da Rua de Santa Catarina, no Porto. E não só: Débora também ajuda a salvar plantas “doentes”.

Para usufruir do hotel e hospital, que estão em funcionamento combinado até 30 de Setembro, os interessados só têm de fazer uma marcação e deixar as plantas na pequena loja de aroma campestre. Após o check-in das plantas, acontece o check-up, ou seja, um diagnóstico para ver as “condições em que a planta está e eventuais cuidados específicos de poda e nutrição” — ​“folhas secas, falta de terra e falta de poda” são os problemas mais comuns.

Durante a estadia, “a hidratação é constantemente avaliada”, garante a florista. O check-out é acompanhado por uma prescrição de cuidados válida durante três meses. O custo é de 2,5 euros no primeiro dia e de 1 euro nos restantes, sendo que toda a assistência está incluída no valor.

Mudar de vida

Apesar de a ideia do hospital só ter ganho uma designação neste Verão, Débora conta já ia fazendo alguns trabalhos de tratamento de plantas. “Senti que era uma necessidade que alguns clientes tinham porque alguns não sabem definitivamente cuidar das plantas”, confessa. Por isso, o “hospital funcionará sempre”, mesmo para lá do Verão, sendo que o valor do serviço varia consoante as necessidades da planta.

Algumas das plantas que se encontram no Hotel Paulo Pimenta
Algumas das plantas que se encontram no Hotel Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

Formada em Design de Comunicação, Débora gostou de plantas. Em 2020, depois de regressar a Portugal após um período a viver na Escócia com o marido e a filha, percebeu que “necessitava de mais tempo” para a família. “Ou seja, que eu e a minha filha fôssemos donas do nosso tempo”, explica. Foi então que decidiu agarrar “uma paixão antiga” e tirar um curso de arte floral, acabando por abrir a The Floral Affairs a 25 de Janeiro de 2022.

Com a loja em funcionamento há pouco mais de seis meses, a florista conta que a adesão “tem ido ao encontro das expectativas”, embora reconheça que este é um “regime a que as pessoas estão ainda pouco habituadas”. “O hotel é um conceito totalmente desconhecido, ninguém vai à procura, ninguém vai ‘googlar’ hotel para plantas”, conclui. Ainda assim, Débora Pinguinha espera repetir o serviço para o ano. “Faz todo o sentido, para além de as pessoas irem de férias e deixarem as plantas, as plantas vão em melhor estado”. Quase, diz, como se “saíssem da loja pela primeira vez”.

“Tudo da forma mais natural possível”

A loja também disponibiliza os serviços habituais de florista, vendendo vasos e ramos, mas sempre da forma o mais sustentável possível. Assim, há certos materiais que Débora não utiliza, como é o caso do plástico, dos abrilhantadores, dos brilhantes e das pérolas. Em substituição, usa “ráfia para atar os ramos e papel kraft e papel de seda para fazer os embrulhos”, ou seja, “tudo da forma mais natural possível”. Apesar de tentar “minimizar o uso de materiais poluentes”, a florista não consegue é fugir dos laços pois têm um “significado literal”, diz, em tom risonho.

Ráfia, um dos materiais sustentáveis utilizados por Débora Paulo Pimenta
Decoração Paulo Pimenta
Decoração Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

Além disso, Débora tem, também, como objectivo trabalhar com negócios que compartilhem os seus ideais e “tirar partido de produtos locais e do pensamento sustentável local”. “Para nos apoiarmos uns aos outros e tentarmos crescer juntos”, sublinha. Por isso, existem na loja produtos de parceiros locais, tais como “vasos de origem 100% orgânica, cerâmicas artesanais e velas artesanais de cera de abelha 100% pura”.

Texto editado por Amanda Ribeiro

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Limpeza das folhas, procedimento realizado no hospital Paulo Pimenta
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