Governo e oposição rezaram juntos por “eleições pacíficas” em Angola

Principais figuras do Estado angolano, do MPLA e da UNITA marcaram presença num culto religioso no Estádio 11 de Novembro, em Luanda.

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João Lourenço, Presidente de Angola, e a primeira-dama, Ana Dias Lourenço LUSA/PAULO NOVAIS
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Milhares rezaram no Estádio 11 de Novembro LUSA/PAULO NOVAIS
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Evento juntou várias congregações religiosoas LUSA/PAULO NOVAIS
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Participantes no culto també rezaram pela Comissão Eleitoral LUSA/PAULO NOVAIS

Cânticos e louvores ecoaram este domingo no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, num culto que juntou o regime angolano, políticos da oposição e milhares de fiéis numa celebração em que se rezou por eleições pacíficas e se abençoou a Comissão Nacional Eleitoral.

Em vez dos habituais hinos futebolísticos ouviram-se no gigantesco estádio da capital angolana, convertido em templo, grupos corais de várias confissões religiosas cristãs que convocaram a celebração sob o lema “Orai pela nação para uma vida tranquila”.

A assistir de perto ao culto estavam vários ministros e secretários de Estado do Governo angolano, apoiado pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), bem como representantes das forças partidárias da oposição entre os quais o secretário provincial da UNITA, maior partido da oposição, Nelito Ekuikui, e o presidente da coligação CASA-CE, terceira força política parlamentar, Manuel Fernandes.

Também o Presidente, João Lourenço, que concorre a um segundo mandato nas eleições marcadas para a próxima quarta-feira, e o vice-presidente, Bornito de Sousa, se juntaram ao apelo dos líderes religiosos das várias igrejas que estiveram representadas como a Tocoista e Kimbanguista, Metodistas, Igreja Teosófica Espírita, Evangélica e Adventistas.

A celebração foi preenchida com cânticos, fanfarras, louvores a Deus e orações pelas eleições, pela CNE, pelos candidatos, pelos órgãos de defesa e segurança, pelas famílias e pelos doentes, alternando com momentos de reflexão propostos pelos religiosos.

A profetisa Suzete João, da igreja teosófica, apelou ao “perdão pelos pecados da nação”, enquanto o reverendo André Cangov, da Igreja Evangélica Congregacional, orou pelas eleições e pelo processo dirigido pela CNE.

O bispo Afonso Nunes, líder dos Tocoistas, apelou a que o período eleitoral prossiga sem incidentes como até ao momento, despedindo-se com um “Ámen” aplaudido pelos fiéis que encheram mais de metade do estádio.

O sistema da CNE foi também consagrado a Deus, pelo reverendo Francisco Sebastião da Assembleia de Deus, pediu-lhe que seja o garante de “todo o processo eleitoral” e que “estenda a sua mão” para que não haja nenhuma suspeita, pedindo a Deus que abençoe e proteja a CNE, os observadores e todos os que vão trabalhar, para “que estejam imbuídos do respeito da paz”

“Angola precisa de paz, a paz esteja com todos”, exortou.

A oração pelos candidatos coube ao reverendo Nascimento Davi, que desejou que tudo corra “num clima de paz, harmonia, concórdia e honestidade” e desejou “sucesso” ao Presidente que vier a ser eleito.

Também as forças de segurança e defesa foram consagradas, desta vez pelo bispo André Sousa que pediu para que se coloquem na defesa do cidadão nacional “e que não sejam usados nem para perturbar nem para fazer nada aos cidadãos.”

“Que cumpram a sua missão da defesa desta pátria”, pediu, apelando a todos os dirigentes para que incentivem a tropa e polícia a defender toda a população.