Soberania política e legitimidade dinástica: os fracassos do Reino Unido

Ao contrário do que mais comummente se vê escrito, D. Pedro não foi rei de Portugal por dois meses, mas sim por dois anos. Dois anos durante os quais o Reino Unido não ressuscitou, mas as duas monarquias brasileira e portuguesa voltaram a estar debaixo da mesma Coroa e de um mesmo príncipe: o legítimo herdeiro da dinastia de Bragança.

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Aclamação de Dom Pedro I, Imperador do Brasil, no Campo de Sant'Ana, Rio de Janeiro (pintura de Jean Baptiste Debret) DR

O Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, criado por decreto do príncipe D. João (futuro D. João VI) de 16 de Dezembro de 1815, foi a moldura oficial de um projecto político e económico que desde finais do século XVIII vinha sendo experimentado e arquitectado pela monarquia portuguesa. Este projecto tinha como princípio estruturante a ideia de que o território europeu não era a melhor parte do conjunto do império luso e que “Portugal reduzido a si só seria dentro de um breve período uma província da Espanha”, citando as palavras de uma das principais figuras de Estado da época, o ministro D. Rodrigo de Sousa Coutinho.

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