As tragédias da mineração: “Ali eu pude perceber que não tinha mais nada, só a roupa no corpo”

Há sete anos, a lama de uma barragem de resíduos de minério engoliu a localidade de Bento Rodrigues, no estado de Minas Gerais. Mônica perdeu tudo, mas, numa luta de David contra Golias, não abandona o que sobra do Bento. Para que “não caia nas mãos dos assassinos”.

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Em busca de sobreviventes em Bento Rodrigues, atingida a 5 de Novembro de 2015 por 62 milhões de metros cúbicos de lama proveniente dos resíduos da extracção do minério de ferro Ricardo Moraes /REUTERS

Foi só quando, depois de uma noite de desespero, conseguiu finalmente subir até um ponto alto que Mônica percebeu a real dimensão da tragédia que a atingira. “A primeira imagem que tive foi a do sítio onde estavam a minha casa e a igreja de São Bento, que era a rua onde eu morava. Aí tive a noção de que não existiam mais casas, era só lama, carros misturados com ônibus misturados com telhados. Foi a pior cena que vi em toda a minha vida.” A sua casa tinha desaparecido e com ela tudo o que sempre conhecera, tudo o que lhe era familiar.

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