Empresa canadiana procura funcionário para provar mais de cem doces por dia

A Candy Funhouse oferece cem mil dólares canadianos — mais de 76 mil euros — a quem queira ser chief candy officer. A vaga está aberta para toda a gente que viva na América do Norte e que tenha mais de cinco anos. A pessoa contratada provará mais de 3500 doces por mês

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Loja de doces canadiana Candy Funhouse está a contratar um chief candy officer Hannah Yoon/The Washington Post

A loja de doces canadiana Candy Funhouse está a contratar um chief candy officer, que terá um salário anual de 100 mil dólares canadianos (76,360 euros). A pessoa contratada será o degustador principal da loja e ficará responsável por provar mais de 3500 doces por mês (mais de 100 por dia, em média).

A proposta tem atraído interesse generalizado e marca um momento de excentricidade no mundo stressante mas monótono das procuras de emprego. A pessoa seleccionada vai aprovar doces para venda e tomar decisões sobre a atribuição do “Selo de aprovação do Chief Candy Officer”. Tudo isto na “Agência da Inteligência dos Doces” da empresa. Liderará a “estratégia de doces”, participará em “reuniões sobre doces” e ficará encarregado de “tudo o que é divertido”.

A vaga está aberta a todos os que vivam na América do Norte e sejam maiores de cinco anos, indica o anúncio, em tom de brincadeira. Pessoas com alergias alimentares são excluídas.

Alguns pais orgulhosos têm feito publicações sobre as candidaturas dos seus filhos — incluindo um menino de oito anos que aprendeu a utilizar o LinkedIn e percebeu a “importância de um currículo forte”. De acordo com o anúncio de emprego, é preciso ter-se “papilas gustativas de ouro” e uma “óbvia paixão por doces”. O emprego inclui um “plano dentário abrangente”.

Ainda que a proposta tenha chamado a atenção, a posição não é tão fora do normal como parece. No mês passado, a Hershey partilhou um anúncio para o trabalho de “degustador em part-time”. A proposta destinava-se a um “membro de painel” capaz de “distinguir diferenças em amostras no que toca à aparência, sabor e textura”, aferidos por “testes de acuidade palativa”.

Anna Lingeris, responsável pela publicidade da marca Hershey Company, contou ao The Washington Post que os degustadores são submetidos a seis meses de treino para identificar sabores específicos, como parte da equipa de investigação e desenvolvimento da Hershey. “O chocolate e a variedade de snacks que temos pode ser complexa”, afirma. Mais de 500 empregados inscreveram-se para provar produtos, para além dos chocolates e snacks que enchem salas de conferências e as cafetarias e que podem provar sem dar um parecer, acrescenta.

A Mars Inc. — lar dos M&M's, Twix e Snickers — tem empregos semelhantes. Uma funcionária, Lisa Schroeder, apaixonada por chocolate, começou a trabalhar como degustadora para a Mars. A função baseia-se na “capacidade de identificar e descrever sabores e texturas”, contou Schroeder à Insider, em 2016.

Schroeder tornou-se depois “técnica sensorial”, ajudando a recolher dados para manter a qualidade e consistência do produto. “Este programa assegura que as nossas marcas mais apreciadas —​ como a M&M's —​ tenham o mesmo sabor que tinham há 75 anos e que os nossos produtos saibam àquilo que os nossos consumidores esperam”, contou.

Um homem provou gelado durante décadas enquanto “Degustador Oficial” para a Dreyer's. As papilas gustativas de John Harrison têm um seguro no valor de um milhão de dólares (97,905 mil euros). O homem usa uma colher de ouro para evitar notas de madeira ou metal e afirma que consegue distinguir imediatamente entre 12% e 11,5% de gordura, só pelo sabor. Ele provava mais de 60 sabores por dia e cuspia cada colherada de gelado, depois da prova, para evitar ficar cheio.

Os seus métodos foram-se refinando: “Tal como um provador de vinho, eu comecei com os vinhos brancos dos gelados —​ baunilha, baunilha francesa, feijão de baunilha, baunilha dupla —​ e trabalhei até chegar aos gelados de menta de Bordeaux com pepitas de chocolate e noz negra”, contou à World Magazine, em 2009.

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post

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