Inundações obrigam à retirada de mais de 30 mil pessoas na região de Sydney

As cheias provocadas pelas chuvas fortes estão a deixar algumas comunidades isoladas. O mau tempo deverá continuar durante toda a semana no Leste da Austrália.

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Inundações causadas pelas chuvas fortes em Sydney, na Austrália Reuters/STRINGER
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Água
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As autoridades australianas ordenaram esta segunda-feira a retirada de mais de 30 mil pessoas na região de Sydney, no estado de Nova Gales do Sul, na sequência de inundações causadas por fortes chuvas que se abateram desde o fim-de-semana.

A ordem de evacuação afectou várias áreas na parte ocidental de Sydney, onde os níveis dos rios Hawkesbury, Nepean e Colo continuam a subir. As inundações devastadoras deixaram algumas comunidades isoladas.

“Para muitas comunidades, esta é mais uma inundação em menos de 18 meses. Algumas das imagens são realmente desoladoras: as casas das pessoas, as suas vidas viradas ao contrário, novamente, e os seus meios de subsistência muito afectados”, declarou aos jornalistas o ministro da Recuperação das Cheias do governo regional de Nova Gales do Sul, Steph Cook.

As fortes chuvas aconteceram na sequência de um sistema de baixa pressão junto à costa Leste da Austrália. As autoridades australianas destacaram cerca de cem militares para ajudar nos esforços de contenção e evacuação das margens dos rios.

Em Março último, várias áreas da Nova Gales do Sul, incluindo Sydney e Lismore, a cerca de 700 quilómetros a norte de Sydney, foram atingidas por inundações devastadoras, que causaram 20 mortos e danos materiais elevados.

“Os últimos meses têm sido muito difíceis e termos mais um episódio de inundações por cima de outros episódios torna a resposta mais desafiadora”, disse Dominic Perrottet, chefe de governo do estado de Nova Gales do Sul, durante uma conferência de imprensa.

Desta vez, a água que caiu atingiu os 200 milímetros em muitas áreas e em alguns casos a altura da água chegou aos 350 milímetros. Estes níveis de precipitação podem aproximar-se ou mesmo exceder o nível de água atingido durante as inundações de Março de 2021, e também em Março e Abril deste ano, avisou a Agência Meteorológica australiana. Apesar de se prever uma diminuição da intensidade das chuvas para o fim de segunda-feira, o risco de grandes inundações mantinha-se activo, adiantou a agência.

“É devastador. Estamos incrédulos”, disse Theresa Fedeli, presidente da Câmara de Camden, uma cidade situada nos subúrbios de Sydney. Muitas pessoas da comunidade “acabaram de sair da última inundação, tinham refeito as casas, os seus negócios estavam a andar e infelizmente está a acontecer tudo de novo”.

Paul O’Neil, residente de Wisemans Ferry, uma das áreas atingidas pelas inundações, transportava alimentos de barco para levar para a sua família depois da subida das águas terem cortado o acesso a casa. “A estrada colapsou e ainda não foi reconstruída após as últimas inundações”, disse à agência Reuters. “A única forma de agora poder chegar a casa é por barco.”

As águas do rio Hawkesbury, em Windsor, transbordaram e inundaram várias casas BIANCA DE MARCHI/Lusa
As águas do rio Hawkesbury, em Windsor, transbordaram e inundaram estradas e placas BIANCA DE MARCHI/Lusa
Um barco do Serviço de Emergência do estado de Nova Gales do Sul em missão de resgate BIANCA DE MARCHI/Lusa
Pessoas observam a ponte de Windsor submersa pelas águas do rio Hawkesbury BIANCA DE MARCHI/Lusa
"Propriedade perdida", lê-se num detrito arrastado pelas águas do rio Hawkesbury BIANCA DE MARCHI/Lusa
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As imagens partilhadas nas redes sociais mostram postos de gasolina, casas, carros e sinais de trânsito parcialmente submersos. Veículos militares entraram em estradas inundadas para retirarem famílias que ficaram presas nas suas casas.

Os últimos dois anos têm sido anos de La Niña, quando as águas superficiais da região equatorial Leste do oceano Pacífico ficam mais frias do que o normal, ao contrário do fenómeno El Niño, em que aquelas águas aquecem. A La Niña está associada a uma maior pluviosidade na região Leste da Austrália. Mas, segundo o Conselho Climático australiano, as alterações climáticas estarão a contribuir para estes fenómenos meteorológicos frequentes e o país “não está preparado” para a situação.

“Estamos a viver num clima em mudança”, disse por sua vez Murray Watt, ministro da Gestão de Emergências, ao canal de televisão ABC, acrescentando que as alterações climáticas têm de ser levadas “a sério”.

Tempestades na China

Também a China está a sofrer com chuvas fortes devido ao tufão Chaba, o primeiro da temporada de 2022 a alcançar o território chinês. Ao longo do fim-de-semana, as províncias do Sul da China receberam chuvas fortes por causa do tufão, depois de já terem passado por semanas de chuvas torrenciais e tempestades eléctricas.

Apesar de o tufão já ter regredido para uma tempestade tropical, de acordo com o Observatório Meteorológico Central de Xangai, teme-se que ainda tenha força para atingir com bastante chuva as regiões Central e Sul daquele país. Até quarta-feira, prevêem-se chuva e vento fortes para as províncias de Guangdong, Jiangxi, Hunan, Hubei, Henan, Shandong e a região autónoma de Guangxi.

Nas últimas semanas, o Sul da China foi afectado por chuvas torrenciais históricas que destruíram propriedades, paralisaram o trânsito e perturbaram o quotidiano de milhões de pessoas.

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