Um obsessivo thriller que faz da palavra a sua acção, mistura que é a assinatura do realizador, Saeed Roustayi, que aqui entrevistamos: o esplêndido A Lei de Teerão põe os espectadores portugueses em contacto com os novos olhos do Irão. 

A sequência de abertura, uma esgotante perseguição da lei ao tráfico de droga, é daquelas para nos fazer exclamar: "Nunca vimos nada assim no cinema iraniano!". Ou, variação que pode estar inquinada de algum cinismo: "Parece um filme americano!"

 
           
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Saudades de ler com calma e sem horas para terminar? O calor está aí e em breve, também o Verão e as férias. A época ideal para esquecer o mundo e entregar-se às mil e uma viagens que só um livro pode oferecer.

         
           
 

Às tantas, nesta conversa, perguntámos a Roustayi que filiação assume com o cinema de Abbas Kiarostami, Jafar Panahi ou Moshen Makhmalbaf tendo em conta que os seus filmes são politicamente mais directos, como que normalizando uma relação com o real. A resposta:

"Admiro profundamente todos esses cineastas que mencionou. E concordo consigo. A minha geração, tendo caminhado na peugada da anterior, é mais directa e ousada no que diz. É talvez mais clara, menos poética. As mudanças na sociedade, cada vez mais complexa, originou esta mudança no cinema iraniano. Nada é mais como há vinte anos. O cinema também não o pode ser".

Depois de A Lei de Teerão virão Hit the Road, de Panah Panahi, que chega de carro, como habitualmente no cinema iraniano, mas desconstrói tudo como num transtorno ciclotímico, e Leila’s Brothers, o novo filme de Roustayi, e um tour de force. É uma nova iranian connection...

 

 

Em 2015, uma dupla de cineastas, Maya Kosa e Sérgio da Costa, entregaram-se a uma transfiguração sem cuidarem do que estava do outro lado. Deixaram-se levar pelo encontro, numa aldeia do Douro, com um pastor, barbeiro, jardineiro, palhaço, mágico, em suma, uma alma de vagabundo, o sr. Silva, que ainda arranjou maneira de sair dessas encarnações, que serão ou não impressões dos seus distúrbios psíquicos, e, olhando de fora para si próprio, ficcionou uma sua última viagem e escreveu os diálogos da sua morte. Esse filme, que deixou uma fulgurante memória, chama-se Rio Corgo.

Sem a amplitude, épica, dessa viagem sem regresso, Maya e Sérgio dit it again: a uma escala miniatural, o que tem implicações logo nos planos do novo filme, no recorte das figuras num cenário, Ilha dos Pássaros continua o que há de inclassificável no trabalho desta dupla de dois filhos da imigração portuguesa (ele) e polaca (ela). Isto é: o cinema como rito de passagem, coisa obscura, um deslize de consequências imprevisíveis que retém, dessa viagem, o seu segredo fundamental.

A experiência do mundo por um ser ferido: Ilha dos Pássaros

 

Rio Corgo foi, curiosamente, um dos 20 títulos exibidos em Nova Iorque, na retrospectiva New Tales from Portuguese Cinema, em que o cinema português do século XXI esteve em espaços míticos: o Anthology Film Archives, a East Village, o cinema experimental e o punk. A reportagem, aqui...

 

Às tantas, numa conversa entre a nossa Teresa de Sousa e o escritor Michel Eltchaninoff, doutorado em Filosofia e especialista em história do pensamento russo, ele fala de Vladimir Putin como alguém que gosta de se fazer passar pelo "mau da fita", mas que seduz justamente pelo seu lado transgressor. Como a personagem de um filme. Como o Joker de Batman.

"O problema é que não estamos no cinema e a guerra na Ucrânia mostra quem é a verdadeira personagem."

É uma conversa lúcida com o autor que entrou na cabeça do czar desta Rússia, que entrou no seu pensamento. Que, segundo o autor, assenta em quatro pilares: o sovietismo; a "via russa", ou "eslava" para o desenvolvimento; o conservadorismo; e a defesa do espaço euro-asiático.

 

Agnès Varda: Luz e Sombra, na Casa do Cinema Manoel de Oliveira, retoma, depois de uma primeira exposição em 2009, a atenção de Serralves à obra plástica da artista. Mas é um ciclo de cinema que decorrerá em paralelo, com vista para algumas pérolas de uma filmografia radiosamente livre, que sobressai.

 

Deixo-vos com Pedro Almodóvar...

... e com uma jornada entediante do cineasta, em que ele, para combater esse tédio, começou a escrever... e Andy Warhol, Jean-Michel Basquiat, Leïla Slimani, os anos 80/90 apareceram. Um diário.

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