Está de volta o festival dedicado ao lobo que transformou uma aldeia do Gerês

Desde a primeira edição do evento Aldeia de Lobos, em 2018, mais pessoas passaram a visitar Fafião durante o resto do ano - factor que contribuiu para impulsionar a economia local

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Por força da pandemia o evento esteve parado dois anos DR

Começou com a ideia de apelar à necessidade de preservação do lobo-ibérico e, quatro anos depois, transformou uma pequena aldeia do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). O festival Aldeia de Lobos está de regresso a Fafião - arrancou sexta-feira - e vai ocupar a aldeia comunitária do concelho de Montalegre até domingo.

Após dois anos de paragem por força da pandemia de Covid-19, o evento que oferece concertos, exposições, sessões de contos, workshops e até percursos pedestres regressa com mais um dia de programação – acrescenta-se domingo às festividades – e com a certeza de que é um chamariz para o retorno de visitantes à localidade no resto do ano.

Uma aldeia comunitária que subsistia da agricultura, “da pastorícia e das vezeiras de cabras e vacas”, tem hoje, nos seus 100 habitantes, “gente que criou os seus próprios negócios”, elucida ao PÚBLICO Eugénio Fernandes, da organização. “Desde 2018 que sentimos mais procura pela aldeia durante todo o ano e não só de turistas ao fim-de-semana. Isso deve-se inevitavelmente ao festival, que já é conhecido em todo o país, e a todo o trabalho associativo”, conta, referindo-se à associação cultural Vezeira (que criou o festival), da qual Eugénio faz parte. Na primeira edição, em 2018, o Aldeia de Lobos recebeu 700 pessoas e, logo na segunda, em 2019, deu um salto galopante, tendo recebido duas mil.

Não é um evento que se “diferencia pela música, ao contrário de outros”, mas sim pela “relação que o público estabelece com as pessoas da aldeia”. O “festival intimista”, como lhe chama o membro da colectividade que organiza o evento, envolve, de facto, grande parte dos cem habitantes de Fafião. Na edição deste ano, por exemplo, “as cortes dos animais serão convertidas em galerias de arte”, onde estarão patentes as exposições de fotografia e pintura, e as paredes das casas serão telas para instalações artísticas.

Mas se o evento estimula a economia local – este ano há também lugar para um mercado onde estarão à venda produtos locais, como vinho, mel, compota e licores – e o regresso dos festivaleiros à aldeia durante o resto do ano, é também certo que esta terceira edição servirá para medir o pulso ao futuro do evento. É que a entrada é gratuita e, depois das duas mil pessoas em 2019, a organização teme uma invasão à pequena aldeia do Gerês. Certo é que pelas questões enviadas através das redes sociais, que são endereçadas à organização, sobre “alojamento e restauração”, espera-se “muito mais gente” este ano. Se isso acontecer, Eugénio admite que a organização poderá “repensar” o formato. “Não queremos que o festival nos fuja das mãos, nem o podemos fazer: por um lado estamos no meio do PNPG, e, por outro, esta é a nossa aldeia e temos um respeito enorme por quem cá mora. “Não pode ser para massas”, sublinha.

Ode ao lobo com concertos e instalações no programa

Tal como nas edições anteriores, o Aldeia de Lobos terá o lobo-ibérico no centro de toda a programação. Na sexta-feira, o evento arrancou ao final da tarde com o uivo da alcateia e com a abertura das galerias de arte. No sábado, “o pico do festival”, nas palavras do responsável, o programa começa logo às 9h30 com uma caminhada e prolonga-se, durante a tarde, com a inauguração de exposições e realização de workshops de apicultura e danças africanas. Pelo meio, além dos concertos que iniciam à tarde e se estendem madrugada dentro, há uma sessão de contos sobre o lobo-ibérico, que contará com a presença da directora-regional do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. No domingo, estão agendados dois concertos, às 15h e às 17h.

Eugénio Fernandes admite que a oferta de alojamento na aldeia “ainda é curta” para a procura que existe nos dias próximos ao festival, mas lembra que há dois parques de campismo, em Ermida e Cabril, a cinco quilómetros de Fafião, que “ainda podem ter lugares disponíveis”.

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