Encostando o ouvido à terra

Uma colectânea de contos marcada por um universo singular, rural e fantástico, onde ecoam memórias de histórias tradicionais.

Foto
Raquel Gaspar da Silva esboça uma “incursão etnográfica” que se torna viagem a um mundo em extinção DR

A estreia literária de Raquel Gaspar Silva (n. 1981) aconteceu com o livro Fábrica de Melancolias Suportáveis (Elsinore, 2017): uma história que tem no centro uma família da classe trabalhadora, num contexto social de natureza rural, que habita uma fábrica de cortiça. Essa fábrica, que titula o romance (novela?), é uma espécie de epicentro deslocado da voz daqueles que trabalham o campo, da voz da aldeia e do seu imaginário — é nela que nascem as histórias, as lendas, os medos, tornando aquele lugar numa “fábrica de possibilidades”. Nesse texto era já então visível que se estava perante uma voz literária singular, talentosa e com uma segurança de escrita não muito comum num primeiro livro; acrescentava ainda o universo rural e um indisfarçável gosto por uma certa oralidade (apesar do literário tom poético) — recorrendo a expressões que entraram em desuso e a uma forma de contar onde soavam reminiscências de contares antigos.

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