Mesmo longe, alunos do Campo de Besteiros trabalham para um futuro melhor no oceano

Esta escola do concelho de Tondela está longe do mar, mas não é por isso que não lhe reconhecem importância. “O equilíbrio do mar depende do que cada um faz na terra”, lê-se num dos cartazes desta Escola Azul.

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Situada junto à Serra do Caramulo, a escola adapta as suas actividades à localização Daniel Rocha

Para chegarem ao ponto mais próximo do oceano, os alunos da Escola Básica do Campo de Besteiros demoram cerca de uma hora por auto-estrada. Apesar da distância, sabem que adoptar medidas que o protejam significa cuidar do futuro.

Situada no concelho de Tondela, esta é uma Escola Azul, ou seja, uma escola que envolve activamente a comunidade escolar na compreensão da influência do oceano nas pessoas e vice-versa.

“O equilíbrio do mar depende do que cada um faz na terra”, recorda um dos muitos cartazes sobre o tema que se encontram espalhados por vários edifícios da escola e que, além de peixes, tem a servir de “decoração” cotonetes, tampas de garrafas e outros plásticos que habitualmente vão parar ao oceano.

Mas nem é preciso entrar nos edifícios para perceber que esta é uma escola diferente. Logo da rua avista-se, junto ao lago da entrada, uma tartaruga gigante, feita de garrafas de plástico e, ao lado, placas que informam: “Tu e eu podemos mudar o mundo.”

A professora Ana Paula Alves, que coordena o projecto Escola Azul na Escola Básica do Campo de Besteiros, considera que “é mais difícil sensibilizar os alunos para o oceano estando longe dele”, mas o que importa é nunca desistir.

“Na actividade da corrente do oceano, por exemplo, vimos imagens de alunos de outras escolas em frente ao mar. Imagens lindas, sem dúvida. Nós fomos até à ribeira aqui perto, que até tinha pouca água”, conta à agência Lusa Susana Sacras, outra das professoras envolvidas no projecto. A professora referia-se a uma actividade realizada em Maio, para marcar o Dia da Escola Azul.

Alunos da Escola Secundária de Peniche fizerama Corrente do Oceano junto a uma falésia DR
O Agrupamento de Escolas de Valadares reuniu centenas de pessoas que foram até à praia de Miramar, em Vila Nova de Gaia, para realizar a Corrente do Oceano. Atrás da corrente está a capela do Senhor da Pedra DR
O Agrupamento de Escolas de Valadares reuniu centenas de pessoas que foram até à praia de Miramar, em Vila Nova de Gaia, para realizar a Corrente do Oceano DR
O Agrupamento de Escolas de Valadares reuniu centenas de pessoas que foram até à praia de Miramar, em Vila Nova de Gaia, para realizar a Corrente do Oceano Isabel Faria
Alunos da Escola Profissional de Campanhã, fizeram a Corrente do Oceano da Escola Azul na praia de Matosinhos DR
Alunos da Escola Básica 1 de Geraldes deram as mãos na praia de São Bernardino, no concelho de Peniche DR
Alunos da Escola Profissional de Campanhã, fizeram a Corrente do Oceano da Escola Azul na praia de Matosinhos DR
Estudantes do Agrupamento de Escolas EBS Vale D'Este Viatodos - Barcelos fizeram o cordão com estudantes do agrupamento Aver-o-Mar na praia de A-Ver-o-Mar, na Póvoa de Varzim DR
Alunos da Escola Profissional de Campanhã, fizeram a Corrente do Oceano da Escola Azul na praia de Matosinhos DR
Alunos da Escola Básica dos 2.º e 3.º ciclos do Caniço, na Madeira, reuniram-se para fazer a Corrente do Mar na praia dos Reis Magos DR
Alunos da Escola Profissional de Campanhã, fizeram a Corrente do Oceano da Escola Azul na praia de Matosinhos
Alunos da Escola Profissional de Campanhã, fizeram a Corrente do Oceano da Escola Azul na praia de Matosinhos
Alunos da Escola Básica 1 de Geraldes deram as mãos na praia de São Bernardino, no concelho de Peniche
Estudantes do Agrupamento de Escolas EBS Vale D'Este Viatodos - Barcelos fizeram o cordão com estudantes do agrupamento Aver-o-Mar DR
Na praia do Baleal, os estudantes da Escola Básica 1 de Ferrel, do concelho de Peniche, deram as mãos para a Corrente do Oceano DR
Alunos da Escola Internacional de Aljezur, no Algarve, fazem um cordão pelo oceano Joe Stevens e Liam Stevens
Alunos da Escola Básica dos 2.º e 3.º ciclos do Caniço, na Madeira, reuniram-se para fazer a Corrente do Mar na praia dos Reis Magos DR
Além da corrente do oceano, os alunos da Escola Básica dos 2.º e 3.º ciclos do Caniço, na Madeira, também realizaram actividades náuticas e recolheram lixo da praia DR
Além da corrente do oceano, os alunos da Escola Básica dos 2.º e 3.º ciclos do Caniço, na Madeira, também realizaram actividades náuticas e recolheram lixo da praia DR
Crianças com um cartaz que diz "O Oceano não é um caixote do lixo" na praia de Mirar, na iniciativa do Cordão do Oceano organizada pelo Agrupamento de Escolas de Valadares, de Vila Nova de Gaia DR
O Agrupamento de Escolas de Valadares reuniu centenas de pessoas que foram até à praia de Miramar, em Vila Nova de Gaia, para realizar a Corrente do Oceano DR
Corrente do Oceano desenhada pela Benedita, do Agrupamento de Escolas de Valadares, Vila Nova de Gaia DR
O Agrupamento de Escolas de Valadares reuniu centenas de pessoas que foram até à praia de Miramar, em Vila Nova de Gaia, para realizar a Corrente do Oceano DR
O Agrupamento de Escolas de Valadares reuniu centenas de pessoas que foram até à praia de Miramar, em Vila Nova de Gaia, para realizar a Corrente do Oceano DR
O Agrupamento de Escolas de Valadares reuniu centenas de pessoas que foram até à praia de Miramar, em Vila Nova de Gaia, para realizar a Corrente do Oceano DR
Na Escola Secundária Ferreira Dias, em Agualva, Sintra, optou-se por dar um abraço à ribeira das Jardas, que fica perto da escola DR
Externato de Penafirme na Praia de Santa Cruz, em Torres Vedras DR
Escola Básica e Secundária Ordem de Sant'Iago, Setúbal DR
Mais de 500 alunos, do 1.º ao 10.º ano, docentes e não docentes do Colégio de Nossa Senhora da Bonança, participaram na iniciativa Corrente do Oceano, na praia de Miramar, em Vila Nova de Gaia. Munidos de cartazes feitos por si, quiseram transmitir a todos uma mensagem de proteção do Oceano. DR
Mais de 500 alunos, do 1.º ao 10.º ano, docentes e não docentes do Colégio de Nossa Senhora da Bonança, participaram na iniciativa Corrente do Oceano, na praia de Miramar, em Vila Nova de Gaia. Munidos de cartazes feitos por si, quiseram transmitir a todos uma mensagem de proteção do Oceano. DR
EB Abadias, Agrupamento de Escolas da Zona Urbana da Figueira da Foz DR
Alunos da Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves, de Valadares, fizeram parte da Corrente do Oceano realizada pelas Escolas Azuis de Vila Nova de Gaia DR
Alunos da Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves, de Valadares, fizeram parte da Corrente do Oceano realizada pelas Escolas Azuis de Vila Nova de Gaia DR
Alunos da Escola Secundária de Peniche fizerama Corrente do Oceano junto a uma falésia DR
Alunos da Escola Secundária de Peniche fizerama Corrente do Oceano junto a uma falésia DR
Alunos da Escola Secundária de Peniche fizerama Corrente do Oceano junto a uma falésia DR
Escolas Azuis do município de Faro juntam-se para a corrente do oceano: Escola Básica Ria Formosa, EB1 da Conceição, EB1 de Pontes Marchil e Agrupamento de Escolas D. Afonso III DR
Escolas Azuis do município de Faro juntam-se para a corrente do oceano: Escola Básica Ria Formosa, EB1 da Conceição, EB1 de Pontes Marchil e Agrupamento de Escolas D. Afonso III DR
Alunos das Escolas Azuis de Lagos juntam-se para realizar a corrente do oceano DR
Alunos das Escolas Azuis de Lagos juntam-se para realizar a corrente do oceano DR
Alunos da Escola Básica Drº Horácio Bento de Gouveia, no Funchal, juntam-se para fazer a corrente do oceano DR
Alunos da Escola Secundária João Gonçalves Zarco Cordão Humano fazem a corrente do oceano na praia de Matosinhos DR
Crianças da EB1PE e Creche de Santa Cruz, na Madeira DR
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Nesta quinta-feira, alunos de várias escolas foram até às praias do país para dar as mãos e formar uma corrente do oceano. A iniciativa marcou o dia da Escola Azul, um programa educacional para fomentar a literacia dos oceanos e alertar para a saúde da parte azul do nosso planeta.

Enquanto alunos de outros pontos do país saíram das suas escolas e “invadiram” as praias das proximidades, tal não foi possível no Campo de Besteiros. Segundo Ana Paula Alves, a distância entre o Campo de Besteiros e o oceano obriga a uma maior criatividade na realização das actividades.

“Todas as turmas da escola tinham uma gota azul, de papel, na qual escreveram uma frase relativa à protecção dos oceanos. Juntamo-nos todos numa fila, fomos até à ribeira e colocámos as gotas na estrutura da ponte”, recorda Sílvia Marques, de 15 anos, que, tal como Sara Carvalho, de 14 anos, é embaixadora da Escola Azul.

No regresso à escola, foram nomeadas novas embaixadoras, uma vez que as duas alunas estão a concluir o 9.º ano de escolaridade e sairão desta escola.

Os primeiros passos na ligação da escola do Campo de Besteiros ao oceano foram dados em 2014, com o projecto Ler+Mar. Só no ano lectivo 2017/18 se iniciaram as actividades no âmbito do projecto Escola Azul (programa educativo do Ministério da Economia e Mar).

A importância do mar

O trabalho desenvolvido ao longo destes anos, que vai para além dos muitos cartazes dos alunos visíveis na escola, prova que não é preciso viver no litoral para saber a importância do mar e a necessidade de contribuir para a sua sustentabilidade.

A pandemia de covid-19 limitou as actividades, mas, ainda assim, foi possível participar no projecto “O nosso oceano em 2030”. Em articulação com professores de várias disciplinas, cada turma trabalhou para que depois, a nível nacional, fossem encontrados os “dez compromissos das Escolas Azuis”.

“Todo esse trabalho foi bastante interessante, porque obrigou os alunos a fazerem pesquisas, a debaterem uns com os outros essa problemática e envolverem-se. Tivemos uma aluna da nossa escola que até foi ao debate nacional”, conta à Lusa, orgulhosa, Ana Paula Alves.

Este ano lectivo, no âmbito do desafio “Escola Secreta”, a turma da Sílvia e da Sara pegou num desses compromissos — “exigir a instalação de mecanismos eficazes de retenção de resíduos nas sarjetas, que os impeçam de chegar ao mar e de prejudicar a vida marinha” — e redigiu e declamou um poema.

“Um poema sobre sarjetas?”, foi a primeira reacção de Susana Sacras à proposta dos alunos, estranhando a ideia que, reconhece agora, resultou num trabalho muito engraçado.

O poema, declamado pelos alunos na turma e gravado em vídeo, deixa o apelo: “Não, não, não me atires para o chão, o vento vai-me levar, aos trambolhões até ao mar, um autêntico furacão, para não ter este destino, nas sarjetas vamos intervir, sim, sim vamos impedir o lixo, de chegar ao mar e poluir.”

“Acho que este ano foi o melhor, porque depois da covid pudemos voltar a fazer mais actividades”, considera Sílvia Marques, que completa o seu quinto ano de participação no projecto Escola Azul.

Também prestes a deixar o projecto, Sara Carvalho não tem dúvidas de que levará as experiências que viveu para a vida: “Ficamos mais sensíveis, temos mais noção do que está a acontecer e podemos ajudar a prevenir que o lixo chegue ao mar.”

Situada junto à Serra do Caramulo, a escola adequa muitas das actividades do projecto à sua localização. Ana Paula Alves explica que os responsáveis pelo projecto tentam “realizar as actividades não só de acordo com as disciplinas, mas também de acordo com a realidade de quem está no interior do país” e, nesse âmbito, é feita a ligação ao projecto Rios. “Não temos aqui o oceano, mas temos o rio Criz e várias ribeiras, que, mais cedo ou mais tarde, vão dar ao oceano”, sublinha.

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