O big bang de Mary Halvorson como compositora

Depois de dois álbuns com o projecto Code Girl, em torno das canções, a guitarrista edita em simultâneo Amaryllis e Belladonna. Dois soberbos álbuns para sexteto de jazz e quarteto de cordas que são os seus mais ambiciosos gestos de compositora.

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A história é conhecida entre aqueles que têm acompanhado o percurso de Mary Halvorson — enquanto inventora de uma das mais fascinantes linguagens para a guitarra eléctrica no universo do jazz contemporâneo. Era caloira na Wesleyan University, pacata aluna de Biologia, mas aproveitou para se inscrever nalgumas das aulas leccionadas pelo saxofonista Anthony Braxton na mesma instituição. Apesar da possível estranheza, não se tratava de um erro na entrega do formulário com a escolha de disciplinas. Tendo aprendido violino em miúda e tocado em pequenas orquestras, Halvorson mudou-se depois para a guitarra e embora planeasse cansar a vista com os olhos enfiados em microscópios e a estudar ecossistemas mundo fora, a oportunidade de poder assistir a aulas de uma sumidade da história do jazz não era coisa que lhe apetecesse desperdiçar. O que a caloira não previu foi que o impacto dessas aulas seria tão intenso que, no final do primeiro semestre, formalizou a sua desistência das ciências e passou a estudar música, inspirada pelos conceitos e pela criatividade de Braxton. Durante os três anos seguintes, Halvorson tocou numa série de ensembles dirigidos pelo músico e, pouco depois de se formar, foi chamada por Braxton para integrar a banda que o saxofonista reuniu para uma digressão europeia.

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