Visitante do Louvre arremessou uma tarte contra a Mona Lisa

Atacante, que não chegou a danificar a obra-prima de Leonardo, tentou justificar o gesto como um alerta ecológico sobre a situação do planeta.

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CHRISTOPHE PETIT TESSON/epa

Tudo leva a crer que não terá passado de um inofensivo fait-divers, a acrescentar a tantos outros que, em mais de um século, têm surgido em volta da mais famosa obra do Museu do Louvre: a Mona Lisa (1503) de Leonardo da Vinci foi atacada no domingo por um visitante que sobre ela lançou uma tarte de creme. O gesto não causou danos na pintura, que se encontra protegida por uma vitrina blindada, e o homem foi retirado da sala por seguranças do museu, que de seguida limparam a redoma de cristal.

Deslocando-se numa cadeira de rodas, vestido de branco e disfarçado com uma peruca debaixo de um boné, segundo as descrições de vários visitantes que reportaram o incidente nas redes sociais e foram citados pela AFP, o homem em causa gritou algo como: “Pensem na Terra. Há pessoa a destruir o planeta. Foi por isso que fiz isto.”

Contactado pela AFP, o Museu do Louvre não revelou a identidade do atacante, nem comentou o incidente. E as visitas àquele que continua a ser o museu mais procurado no mundo (mais de dez milhões de visitantes antes da pandemia da covid-19) continuaram a decorrer sem novos percalços.

Como lembram a AFP e vários órgãos de informação, este incidente vem somar-se a vários outros que, desde o início do século XX, visaram esta obra maior do grande mestre do renascimento, e que se encontra no Louvre desde o início do século XIX. O mais notório de todos aconteceu em 1911, quando a tela, também conhecida como A Gioconda, foi roubada do museu parisiense por um italiano, Vincenzo Peruggia. A Mona Lisa reapareceu dois anos depois, quando este antigo funcionário do Louve tentou vendê-la à Galeria dos Uffizi, em Florença.

Ainda no século XX, em 1956, a tela foi alvo de dois ataques: o primeiro ocorreu quando um homem lhe lançou ácido, tendo danificado a parte inferior da obra; no final desse ano, um estudante boliviano viria a atirar-lhe uma pedra, tendo riscado ligeiramente a tela.

Em 1974, quando a obra de Leonardo saiu pela última vez do Louvre, para ser exposta no Museu Nacional de Tóquio, uma mulher, também em cadeira de rodas, e alegadamente em protesto com a falta de acessos para deficientes, lançou-lhe um spray vermelho.

Já em 2009, uma visitante russa tentou danificar a Mona Lisa com uma caneca – nessa altura, contudo, a tela encontrava-se já encerrada numa vitrina de cristal e protegida por um sofisticado sistema blindado.

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