“Quando as pessoas começam a imaginar um mundo diferente, é natural que o mundo mude”

As canções são o mote, mas Silêncio Aflito, de Luís Trindade, usa-as para lançar um olhar vasto sobre uma sociedade que, entre os anos 1940 e 1970, com a rádio, a televisão, o cinema e as revistas ilustradas mudava de uma forma que escapava à mão férrea do Estado Novo.

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Silêncio Aflito procura o olhar do ouvinte de rádio e do disco, do telespectador em casa, ou, como na foto, reunido em cafés Cortesia Tinta da China

Luís Trindade passou ano e meio no edifício do outro lado da estrada. Durante esse período, o professor de História Contemporânea na Faculdade de Letras (Univ. Lisboa) e vice-coordenador do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra, viveu mergulhado nos anos 1950 e 1960. Na Biblioteca Nacional, em Lisboa, através de revistas como o Século Ilustrado, a Flama ou Plateia, publicações com “popularidade e alguma presença junto das classes médias”, tomou o pulso à sociedade portuguesa do período. Patente na publicidade em página, nos debates ali desenvolvidos, na crítica musical, radiofónica e televisiva, nas reportagens sobre o jet-set e celebridades de Hollywood ou sobre a juventude a ganhar independência e rebeldia ao som de Elvis e dos Beatles, na abordagem de guerras distantes, no Vietname ou na Argélia, qual espelho da guerra portuguesa sobre a qual não se escrevia, esse olhar foi fundamental para chegar a este fascinante e revelador Silêncio Aflito – A Sociedade Portuguesa Através da Música – Dos Anos 1940 aos Anos 1970 (Tinta da china).

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