Joe Eszterhas: o leão do drama sangrento

Dá vontade de recordar o tempo em que o ego de um realizador, actor ou argumentista era capaz de eclipsar o sol incessante da Califórnia. Ah, a nostalgia fervilhante dos anos em que se corriam riscos! Passadas três décadas sobre a estreia de Instinto Fatal, falámos com o leão do drama sangrento, o jornalista, argumentista, escritor e rebelde Joe Eszterhas.

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Writer Joe Eszterhas attends the Hollywood Women's Press Club's 55th Annual Golden Apple Awards on December 10, 1995 at Beverly Hilton Hotel in Beverly Hills, California. (Photo by Ron Galella, Ltd./Ron Galella Collection via Getty Images) Ron Galella, Ltd./Ron Galella Collection via Getty Images

Com o mundo em chamas, as guerras, os refugiados e uma catástrofe ecológica à porta, vale a pena relembrar o colapso recente das salas de cinema e as outras mudanças radicais que temos vindo a presenciar no audiovisual? Ninguém consegue antecipar o que irá sobreviver ao ritmo assustador deste novo século. Os estúdios clássicos de Hollywood continuarão a ceder lugar à Apple, Netflix e TikTok? As novas gerações vão sentir necessidade de se verem transportadas em filmes de duas horas numa sala enorme e escura, ou, pelo contrário, o seu cérebro exige a velocidade de várias histórias e conversas em simultâneo dentro de um ecrã reduzido, o controlo das operações na palma da mão, mais variedade e mais informação a todas as horas do dia? Dada a vontade que Elon Musk tem de criar uma nova rede social, estaremos preparados para o dia em que o filme vencedor em Cannes ou Veneza tenha sido produzido pela Tesla? Quanto ao valor intrínseco do Óscar, o debate mantém-se aceso. Num momento em que tanta gente sofre com as mais diversas carências básicas, continua por apurar se é mesmo importante andar por aí a atribuir aplausos, galas de champanhe e estatuetas douradas a multimilionários.

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