António Feijó será o próximo presidente da Fundação Calouste Gulbenkian

O catedrático da Universidade de Lisboa, que sucede no cargo a Isabel Mota, deverá assumir as novas funções no início de Maio.

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António Feijó sucede no cargo a Isabel Mota MIGUEL MANSO

António Feijó será o novo presidente da Fundação Gulbenkian, funções que assumirá a partir do dia 3 de Maio do próximo ano. O actual pró-reitor da Universidade de Lisboa, que era desde 2018 administrador não executivo, foi eleito esta quarta-feira pelo conselho de administração plenário para presidir à Gulbenkian, sucedendo no cargo a Isabel Mota, que está a terminar o seu mandato e que, de acordo com as normas da fundação, não poderá ser reconduzida por ter atingido o limite de idade.

É a primeira vez que a Fundação Gulbenkian vai ser dirigida por um académico com formação humanista, embora o currículo de Feijó esteja longe de estar circunscrito ao mundo universitário. “Congratulo-me pela nomeação de um professor com um currículo brilhante e internacional, que conta com uma larga experiência de direcção tanto dentro como fora da academia. É uma escolha inteligente e uma novidade numa fundação com vocação cultural e social até aqui presidida por juristas e economistas”, comentou ao PÚBLICO o historiador Digo Ramada Curto.

Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o próximo presidente da Fundação Gulbenkian, uma das maiores fundações europeias, licenciou-se em Estudos Anglo-Americanos por esta faculdade, é mestre em Literatura Inglesa e Americana pela State University of New York e doutorou-se na mesma área disciplinar, com uma tese sobre Wyndham Lewis, pela Brown University, em Providence, também nos Estados Unidos.

Autor de livros e artigos sobre autores e tópicos de literatura inglesa e portuguesa, vem há muito conciliando o seu labor estritamente académico, quer docente, quer administrativo, com uma intervenção cultural e cívica que ultrapassa o âmbito da universidade, quer em cargos como o de presidente do Conselho Geral Independente da RTP, que assumiu em 2014 a convite do ministro Miguel Poiares Maduro, quer, por exemplo, colaborando com encenadores na tradução e na dramaturgia para cena de textos ingleses e portugueses, tendo tido particular visibilidade a dramaturgia que criou, a partir de escritos de Fernando Pessoa e de cartas de Ofélia Queirós, para o espectáculo Turismo Infinito, encenado por Ricardo Pais.

Tradutor de várias peças de Shakespeare, é autor de livros como O Ensino da Teoria da Literatura e a Universidade (1994), Uma Admiração Pastoril pelo Diabo (Pessoa e Pascoaes), de 2015, ou A Universidade como Deve Ser, co-escrito com Miguel Tamen (2017). No âmbito dos estudos pessoanos, António M. Feijó, como geralmente assina, é ainda coordenador do projecto Estranhar Pessoa, sediado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Coordenou ainda com Miguel Tamen e João R. Figueiredo, O Cânone, um vasto e polémico conjunto de ensaios sobre escritores portugueses de todas as épocas que foi lançado no final de 2020.

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Exposição "Weltliteratur" em 2008 para a Gulbenkian que António M. Feijó comissariou com percurso expositivo concebido pelos arquitectos Aires Mateus (também na fotografia), e que ganhou vários prémios europeus arquivo público

Isabel Mota, que sucedeu a Artur Santos Silva, foi a primeira mulher a dirigir a Gulbenkian. Além de António Feijó, eram elegíveis para tomar o cargo que esta deixará vago em Maio outros quatro administradores: Guilherme d’Oliveira Martins, Martin Essayan, José Neves Adelino e Pedro Norton. Graça Andresen Guimarães e Emílio Rui Vilar, membros não executivos da administração, estavam fora da corrida, igualmente por motivos ligados às limitações de idade e de mandatos.

O nono lugar do conselho de administração continua por ocupar desde que Carlos Moedas renunciou ao seu mandato para se candidatar pelo PSD à Câmara de Lisboa.

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