E se fosse possível salvar os recifes de coral?

Porque todos podemos ajudar, porque não começar por “adoptar” um coral e assim contribuir para o sucesso desta iniciativa? Um coral de cada vez, desta feita não em nome de um futuro melhor mas em nome de um futuro.

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OVE HOEGH-GULDBERG/ REUTERS

E se fosse possível salvar as centenas de espécies de corais hoje em risco e consigo as milhares de espécies de peixes, moluscos, cetáceos, répteis, mamíferos e aves intrinsecamente ligados a este que é um dos ecossistemas mais diversos, e por diversos entenda-se importantes, do mundo?

E se fosse possível reverter a extinção prevista de 70% a 90% dos corais ao longo dos próximos 20 anos? E se fosse possível salvar não só os corais, mas também a esperança?

Este é o mote da Coral Vita, empresa sediada na ilha da Grande Bahama e criada por dois ex-alunos da Yale School of Environment, Sam Teicher e Gator Halpern.

Através de um método comummente conhecido como enxertia nas plantas, Sam e Gator dedicam-se à recolha de pequenos fragmentos de coral, os quais são colocados em tanques de água salgada previamente aquecida e acidificada de modo a reflectir os mares de um futuro cada vez mais próximo.

Ao invés de morrerem, pasmem-se, os corais tornam-se mais resistentes às condições ambientais.

Se juntarmos a isto um método denominado microfragmentação, no qual os corais são fragmentados em pequenas partículas que, por sua vez, se voltam a fundir umas com as outras, então temos corais a crescer 50 vezes mais rápido do que o esperado através de processos naturais.

Traduzindo isto por números, já não temos de esperar entre 30 a 50 anos, 30 a 50 anos que não temos, 30 a 50 anos tarde demais, mas apenas 12 meses para transplantar os corais assim criados de volta aos mares de onde nunca deveriam ter saído.

O segredo? Literalmente é a alma do negócio. Partindo de ajudas iniciais de mecenas de Silicon Valley, o modelo empresarial está na base deste projecto de recuperação de recifes de coral.

E com uma estimativa inicial de criação de cerca de 10.000 corais por ano, a Coral Vita pretende expandir as suas quintas para as regiões do mundo afectadas pela extinção deste ecossistema, promovendo os seus serviços junto de governos e autoridades locais com vista ao “cultivo” de milhões de corais num futuro não muito distante. 

Até porque o tempo é um bem cada vez mais escasso. Como os corais. E consigo todos os meios de subsistência de milhões de almas dependentes do turismo e das pescas, inexistentes sem os recifes de coral.

E porque os próximos dez anos são cada vez mais decisivos para o ambiente, para o planeta e para todas as espécies nesta grande arca, arca onde também viajamos, mais precisamente ao leme, a Royal Foundation of the Duke and Duchess of Cambridge atribuiu um milhão de libras à Coral Vita, um dos cinco vencedores da primeira de dez edições anuais dos Earth Shot Prize.

Se a quantia em dinheiro é bem-vinda, o reconhecimento internacional é ainda mais bem-vindo quando estamos perante projectos e ideias tantas vezes maiores do que nós, mais importantes do que nós e tudo ao redor é mais importante do que nós.

E porque todos podemos ajudar, porque não começar por “adoptar” um coral e assim contribuir para o sucesso desta iniciativa? Um coral de cada vez, desta feita não em nome de um futuro melhor mas em nome de um futuro.