O Turismo respondeu ao desafio do Governo

A concretização das propostas da Agenda Acelerar e Transformar o Turismo são um veículo imprescindível para que o sector fazer face a um mercado mais competitivo no pós-pandemia, acelerar a retoma e continuar a dar o seu contributo importantíssimo para a economia nacional.

Pese embora a data do lançamento (Julho) e o prazo para resposta (Setembro) da primeira iniciativa do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em Portugal acessível às empresas - o Convite à Manifestação de Interesse para Desenvolvimento de Projetos no âmbito de Agendas Mobilizadoras para a Competitividade - o Turismo, sempre atento às oportunidades, mobilizou-se para apresentar a sua manifestação de interesse.

Esta mobilização, ainda que numa conjuntura particularmente difícil para o setor, permitiu a criação de um consórcio que envolveu empresas líderes e PME representativas das diversas áreas do Ecossistema do Turismo Nacional (desde o alojamento, ao património histórico passando pelas termas, animação turística, rent-a-car, transportes , infraestruturas , restauração, promoção e comunicação e gestão do Turismo no território); empresas líderes e PME da área tecnológica e uma Entidade Regional de Turismo, que em conjunto com oito entidades não empresariais da área da Investigação & Inovação permitiu, em sintonia com a Confederação do Turismo de Portugal e o Turismo de Portugal, apresentar a Agenda Acelerar e Transformar o Turismo com um investimento previsto de 145 milhões de euros.

Esta Agenda visa promover um conjunto de projetos associados a Investigação & Desenvolvimento que irão permitir que as empresas concretizem investimentos na inovação, transformação digital e transição climática das suas atividades e que, ao mesmo tempo, potenciem a concretização dos objetivos do Plano Reativar o Turismo.

A concretização das propostas contidas na Agenda Acelerar e Transformar o Turismo são um veículo imprescindível para que o Ecossistema do Turismo possa fazer face a um mercado mais competitivo no pós-pandemia e acelerar a retoma do crescimento e assim continuar a dar o seu contributo importantíssimo para a economia nacional.

De acordo com o Governo, e cito, “o Turismo é um setor não só alinhado como prioritário para a estratégia de desenvolvimento do país” e continuando a citar: “Este setor mostrou-se vital para a recuperação e crescimento do país na década passada e pode contribuir de forma única não só para a recuperação, como também para a modernização e para o cumprimento das metas elencadas para o país para esta década, reforçando a sua competitividade internacional no médio e longo prazo.”

Sendo, de acordo com o IAPMEI, o Turismo o maior cluster de competitividade do País, com exportações em 2019 de cerca de 22 mil milhões de euros; tendo o Turismo representado 11,6% do total do VAB da economia nacional em 2019, tendo a procura turística sido equivalente a 15,4% do PIB português em 2019, aumentando 7,6% relativamente a 2018; tendo  o Turismo assegurado 444.000 empregos em 2018 e finalmente estimando a OCDE que cada euro de gastos turísticos de não residentes gera 0,79 de valor acrescentado na economia portuguesa - acima dos 0,59 gerados pelas exportações portuguesas em termos globais -, pensamos ter ficado evidente a importância que esta Agenda terá não só para o Turismo como para a Economia Nacional.

O Turismo, ainda estamos para saber porquê, não consta no documento que remeteu o PRR para Bruxelas. Esse erro crasso foi posteriormente corrigido não só objetivamente com a sua inclusão aqui e ali nas dimensões do PRR – inclusive neste convite – como em termos da adoção pela tutela do PRR do entendimento anglo-saxónico do termo indústria que engloba todas as atividades económicas e o Turismo consequentemente.

Termino afirmando que esta Agenda é essencial para que se possam atingir as metas ambiciosas do Plano Reativar o Turismo, cabendo a quem decide decidir e assumir as respetivas consequências económicas, sociais e ambientais para o país. À Confederação do Turismo de Portugal coube participar na dinamização e concretização desta iniciativa em prol do Turismo, mas sobretudo do crescimento sustentável da economia nacional, da geração de mais e melhor valor e mais sustentabilidade ambiental e social.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico

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