Fabricantes de tintas estão a ficar sem cor azul

A confusão instalada na cadeia de abastecimento tem provocado não só atrasos na distribuição das matérias-primas como aumentado os preços. Os fabricantes de tintas vêem reservas escassear.

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Jasper Juinen/Bloomberg

A fabricante holandesa de tintas Akzo Nobel NV está a esgotar os ingredientes para criar alguns tons de azul - a última consequência das perturbações da cadeia de fornecimento global que se estão a espalhar entre os fabricantes.

“Há uma tonalidade de cor básica que é extremamente difícil de obter”, disse o director executivo, Thierry Vanlancker, numa entrevista após a publicação dos resultados do terceiro trimestre. “Está a criar o caos completo.”

A Akzo Nobel está também com dificuldades em obter o estanho usado para fazer as latas de metal, o que obriga a empresa, com sede em Amesterdão, a enviar contentores vazios de um país para outro para serem novamente enchidos. Um aditivo necessário para conferir impermeabilidade a tintas usadas em paredes exteriores também está indisponível, o que provocou atrasos nas entregas. 

A confusão na cadeia de abastecimento - e que semeou a desordem nas indústrias - está a provocar a subida dos preços e a escassez de alguns produtos domésticos básicos. Os fabricantes de tintas, que normalmente dependem de centenas de aditivos e produtos químicos, há meses que têm alertado para os custos mais altos e problemas logísticos.

A Akzo Nobel disse esta quarta-feira, 20 de Outubro, que os custos crescentes e a escassez de materiais vão durar até meados de 2022.

Enquanto a procura volta aos níveis de 2019 e alguns países parecem ter ultrapassado o pior da pandemia, a capacidade para a produção de matérias-primas não mudou, disse Vanlancker.

“Não existe realmente um motivo para este grande pânico estar a acontecer”, disse o director executivo. “Esta deve ser uma situação transitória que pode levar seis a nove meses até voltar ao normal, mas não há nenhuma razão fundamental para que haja um desequilíbrio duradouro entre oferta e procura.”

Exclusivo PÚBLICO/ Bloomberg