Ser candidato à minha junta de freguesia em 2025… porque não?

É uma freguesia onde se poderia investir na abertura de mais espaços verdes para descanso e lazer, nomeadamente para fruição pelos grupos etários de idade mais avançada e pelas crianças, na criação de um gabinete de proximidade e/ou de uma linha digital de informação e de consultas ligadas à saúde mental.

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Rui Gaudencio

Robert Lawy e Gert Biesta escreveram, no seu artigo Citizenship-As-Practice: The educational implications of an inclusive and relational understanding of citizenship, o seguinte: “A cidadania como prática [itálico meu] não só engloba problemas e questões de cultura e identidade, mas também reúne estes diferentes aspectos dinâmicos num mundo de diferenças em constante mudança (…). Tal visão da cidadania (…) proporciona um ponto de entrada mais robusto para a compreensão e apoio à aprendizagem da cidadania dos jovens nesta área”. Deste modo, o exercício da reflexão e da prática políticas corresponde a dimensões de efectivação cidadã em que os/as governantes colocam à disposição aquilo que têm para oferecer a uma população cujas aspirações neles vêem representadas.

Desde há alguns anos que aprecio acompanhar as novidades políticas e sociais, mas foi com o início da pandemia de covid-19 que a minha atenção para os mesmos se aprofundou. Tenho assistido a diversos debates televisivos e espaços de comentário, tento conhecer algumas propostas dos vários partidos ou candidatos/as que concorrem a eleições e vou escrevendo vários artigos de opinião, alguns dos quais publicados neste preciso jornal, em que procuro abordar temáticas relacionadas com a educação, a cultura ou mesmo o amor numa concepção de inclusão pelos direitos humanos. A minha curiosidade em conhecer melhor o mundo político e em poder agir através de medidas concretas fez-me pensar: Ser candidato à minha Junta de Freguesia em 2025… porque não?.

O P3 divulgou uma reportagem, alguns dias antes das autárquicas deste ano, em que dava conta de oito candidatos, entre os 19 e os 23 anos, todos com filiações partidárias, mas na qual o “ponto nodal”, portanto, o “signo (…) privilegiado em torno do qual outros signos são ordenados”, era a participação juvenil. Sobre cada um, podia ler-se uma vontade em querer ter uma voz activa para fazer (algum)a diferença, uma energia que não se encontra em alguns dos mais altos encarregados da governação em Portugal.

É este vigor que gostaria de empregar numa eventual candidatura à Junta de Freguesia onde resido actualmente, Santa Marinha e São Pedro da Afurada, pertencente ao concelho de Vila Nova de Gaia. Falando do pouco que fui percebendo e de algumas ideias que me ocorreram nesta fase inicial de brainstorming, é uma freguesia onde se poderia investir na abertura de mais espaços verdes para descanso e lazer, nomeadamente para fruição pelos grupos etários de idade mais avançada e pelas crianças, na criação de um gabinete de proximidade e/ou de uma linha digital de informação e de consultas ligadas à saúde mental ou na recompensa do esforço empreendido pelos/as estudantes universitários/as através da atribuição de prémios de mérito.

Aquelas e outras propostas, e todo este texto, são um compromisso para o futuro, de modo a não me esquecer que, um dia, pensei em candidatar-me à minha Junta. É preciso, agora, coragem para avançar: recolher e analisar dados que caracterizam esta freguesia, conhecer pessoas que cá vivam e produzir um espaço de debate onde todos e todas sejam convidados/as. E, claro, compreender bem os trâmites para oficializar, no devido momento, a (ainda eventual) candidatura. Confesso que acredito que um candidato jovem e partidariamente independente poderia trazer novos ares à gestão da minha e de qualquer freguesia – e eu poderia ser essa pessoa.