Crianças: Deco e organizações europeias exigem regras mais apertadas para a publicidade alimentar

Organizações europeias de consumidores pedem aos decisores políticos mão pesada sobre o marketing alimentar prejudicial à saúde.

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A obesidade e o excesso de peso afectam uma em cada três crianças na Europa Adobe Stock

A Deco, em conjunto com outras organizações europeias de consumidores, acusa, num comunicado divulgado nesta terça-feira, os decisores políticos e a União Europeia (UE) de não protegerem as crianças dos anúncios que promovem alimentos pouco saudáveis. 

Segundo os resultados de um estudo realizado entre Fevereiro e Março, em que foram recolhidos exemplos de marketing alimentar pouco saudável — este foi encomendado pela BEUC (Organização Europeia de Consumidores) e por dez das suas parceiras, incluindo a portuguesa Deco, à Universidade de Liverpool —, as empresas alimentares não estão a cumprir a promessa de comercializar responsavelmente os produtos dirigidos aos públicos mais novos, pondo assim em causa o “Compromisso da UE”, o único documento que fiscaliza esta matéria. Este é, porém, segundo estas organizações, “lento, obscuro, inconsistente e brando”, sem medidas concretas para aplicar. 

Para as mesmas, o compromisso desenvolvido pela União Europeia tem sérias falhas, como permitir a comercialização de produtos dirigidos às crianças com níveis nutricionais superiores aos recomendados pelas autoridades de saúde públicas e ignorar a exposição dos mais novos ao marketing nocivo presente tanto em programas televisivos de grande audiência, transmitidos em horário nobre, como nos conteúdos disponíveis online, muitas vezes sem qualquer regulamentação. As organizações apontam ainda o dedo à UE por não punir as empresas quando violam as regras. 

Avançar com “regras vinculativas que, eficaz e rapidamente, parem o crescimento do marketing alimentar pouco saudável” é imperativo para estas organizações, numa altura em que o excesso de peso e a obesidade infanto-juvenil já são considerados problemas de saúde epidémicos, afectando uma em cada três crianças na Europa. “É tempo da União Europeia se organizar e agir rigorosamente”, conclui a entidade portuguesa, em comunicado à imprensa.

Em 2020, Portugal era já considerado o quarto pior país da OCDE em termos de obesidade, com mais de metade da população acima dos 15 anos de idade a sofrer deste tipo de patologia e apesar de não existirem ainda estudos nacionais que comprovem a ligação de uma realidade com a outra, para os académicos internacionais e especialistas é consensual que o impacto da covid-19 foi mais grave em doentes obesos ou acima do peso ideal. Como por exemplo, no Reino Unido, era este o perfil de 70% dos doentes que estiveram nos cuidados intensivos.


Texto editado por Bárbara Wong