Quem ganhou e quem perdeu nos 308 municípios portugueses

O PS reclamou a “terceira vitória consecutiva” nas autárquicas, mas o país está menos “cor-de-rosa”. Além de terem perdido Lisboa, os socialistas viram estreitar a sua vantagem sobre o PSD, um pouco por todo o país.

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As projecções à boca das urnas causaram surpresa ao atribuírem a vitória a Carlos Moedas Nuno Ferreira Santos

Ainda há votos a ser contados, mas por esta hora já todos os 308 municípios têm presidentes de câmara atribuídos. Além da surpresa em Lisboa, que passará das mãos do socialista Fernando Medina para o social-democrata Carlos Moedas, outras 65 autarquias mudaram de cor partidária.

Apesar de o PS insistir que foi o vencedor da noite (foi o partido mais votado a nível global), foi o PSD quem mais câmaras venceu e recuperou. O partido recuperou alguns resultados de 2017, tendo vencido 32 câmaras (e perdido outras 16). Já o PS perdeu 34 autarquias (incluindo a capital), tendo vencido em 22 concelhos, de acordo com os dados mais recentes do Ministério da Administração Interna.

Enquanto em 2017, o PS venceu em 161 câmaras (142 com maioria absoluta) e o PSD ficou atrás com 98 câmaras, os resultados destas eleições estreitaram a distância entre os dois partidos a nível local. Nas 308 autarquias, o PS irá presidir 149 municípios. Já o PSD ficará à frente com 114 (um resultado melhor do que aquele conquistado pelo partido sob a liderança de Pedro Passos Coelho). Contas feitas, o PS passa de uma vantagem de 63 câmaras em 2017 para apenas mais 35 autarquias do que os sociais-democratas.

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À esquerda, também a CDU (coligação que junta PCP e PEV) registou algumas derrotas na noite eleitoral. Depois de em 2017 ter perdido dez câmaras (nove para o PS), a CDU voltou a encolher o número de presidentes. De 24, a CDU passa a presidir apenas 19 câmaras. Entre as autarquias perdidas estão Loures, Moita e Alvito (que passam a ser PS). A CDU conseguiu apenas tirar ao PS Barrancos e Viana do Alentejo, além de que não conseguiu recuperar Almada aos socialistas.

O Bloco de Esquerda também registou uma perda expressiva de votos e vereadores, tendo conseguido manter-se no executivo de Lisboa e estrear-se na Câmara do Porto, com a eleição de Sérgio Aires. O partido perdeu vários vereadores que tinha conseguido eleger em 2017 - quando conseguiu 3,29% e 170 mil votos - incluindo em Portimão, Amadora, Vila Franca de Xira, Abrantes, Torres Novas, Seixal e Moita.

Apesar do crescimento (e de ter conquistado Lisboa), o PSD também perdeu alguns bastiões. É o caso de Valença, que 16 anos depois voltou às mãos do PS. Já o CDS agarrou os resultados de 2017 e manteve as suas seis autarquias.

Por sua vez, os autarcas independentes continuaram a crescer e das 17 câmaras lideradas por movimentos independentes passa-se agora para 20. Entre os autarcas independentes estão Rui Moreira, que continuará a presidir a câmara do Porto, o ex-autarca socialista Raul Castro, que passa a presidir a câmara de Batalha. Também a câmara de Figueira da Foz será presidida por um conhecido independente: Pedro Santana Lopes.