Ciclismo: Alaphilippe revalida título de campeão mundial de fundo

Francês deixou a concorrência mais próxima a 32 segundos de distância.

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Reuters/YVES HERMAN

O francês Julian Alaphilippe revalidou neste domingo o título de campeão mundial de fundo, ao cortar isolado a meta no final da “prova rainha” dos Mundiais de ciclismo de estrada, que decorreram na região belga da Flandres.

O francês, de 29 anos, atacou nos derradeiros 17 quilómetros dos 268,3 entre Antuérpia e Lovaina, e cruzou a meta com o tempo de 5h56m34s, deixando o neerlandês Dylan van Baarle e o dinamarquês Michael Valgreen, respectivamente segundo e terceiro classificados, a 32 segundos.

Alaphilippe é o primeiro francês a conquistar dois títulos de campeão mundial de fundo na centenária história dos Mundiais de estrada.

A Bélgica saiu hoje dos “seus” Mundiais de ciclismo de estrada como a grande derrotada, ao falhar as medalhas na prova masculina de fundo.

Wout van Aert, que ficou fora do “top 10”, bem pode “culpar” a sua obsessão pelo seu eterno rival, o holandês Mathieu van der Poel, pelo desgosto que hoje todos os belgas sentem: depois de um trabalho soberbo de Remco Evenepoel, a grande figura da corrida de hoje a par do agora bicampeão mundial, o belga não reagiu quando Alaphilippe atacou a 17 quilómetros da meta, preocupando-se mais em vigiar MVDP do que em seguir no encalço do francês.

Resultado? “Loulou” rumou imparável até à meta, instalada após 268,3 duríssimos e espectaculares quilómetros entre as cidades flamengas de Antuérpia e Lovaina, e tornou-se o primeiro francês a conquistar duas camisolas arco-íris e apenas o sétimo ciclista a revalidar o título de campeão do Mundo desde a primeira edição dos Mundiais, em 1927.

Com Van Aert, o grande favorito ao triunfo, bem longe da discussão pelo pódio - foi 11.º, a 01.18 minutos e alegou não ter tido “pernas” -, a Bélgica chegou a sonhar com as medalhas, mas viu Jasper Stuyven, teoricamente o mais rápido no grupo de quatro que respondeu ao ataque de Alaphilippe e que chegou 32 segundos depois do francês, ser batido ao “sprint” pelo holandês Dylan van Baarle e pelo dinamarquês Michael Valgreen, que ficaram, respectivamente, com a prata e o bronze.

Não terão sido apenas os belgas a sair dos Mundiais Flandres2021 desiludidos, já que também a selecção portuguesa tem pouco a celebrar: Rui Oliveira foi o melhor entre os representantes nacionais, na 39.ª posição, a 06.27 minutos do vencedor, com João Almeida (47.º) a chegar cinco segundos depois do seu compatriota e Nelson Oliveira a terminar no 55.º lugar, a 06.40.

A Flandres engalanou-se para acolher o centenário dos Mundiais, com os organizadores a desenharem um complicado sistema de circuitos para proporcionar espectáculo, uma missão superada com êxito tal foi a emoção sentida fora -- o público demonstrou o porquê daquela região ser uma das “pátrias” do ciclismo -- e dentro da corrida, muito atacada desde os quilómetros iniciais - os portugueses Rafael Reis e André Carvalho, que não terminaram, foram duas das inúmeras “vítimas” dessa dureza.

A lealdade de Remco Evenepoel a Van Aert e à sua seleção tinha sido questionada por muitos, inclusive Eddy Merckx, o homem a quem teimam (contra a sua vontade) dizer que irá suceder, e hoje o prodígio belga saiu para a estrada com vontade de demonstrar que os detractores estavam enganados, sendo o grande animador da jornada.

Primeiro, esteve na origem de uma fuga com outros nomes sonantes como Primoz Roglic, Kasper Asgreen -- o dinamarquês, vencedor precisamente da Volta a Flandres deste ano, era um dos candidatos e acabou por abandonar --, Arnaud Démare ou Magnus Cort, que viria a ser alcançada a 133 quilómetros da meta, muito por obra do trabalho de Itália, e, posteriormente, integrou vários grupos, arrancando repetidamente até “parar”, sem forças, quando seguia entre a elite que discutiria as medalhas.

Evenepoel ainda estava no grupo quando Alaphilippe lançou um primeiro aviso, a 49 quilómetros da meta, prontamente anulado pelos seus rivais, numa altura em que Portugal, com os dois Oliveiras em destaque, tentava recolar aos da frente.

As “escaramuças” continuaram, mas só quando o francês aproveitou uma inclinação dura, em pleno “pavé”, para, bem ao seu estilo, erguer-se na bicicleta e acelerar, é que a corrida ficou decidida, com o colega de João Almeida na Deceuninck-QuickStep a entrar isolado na última volta, com 25 segundos de vantagem sobre o grupo de Van Aert e Van der Poel, que, na meta, encabeçou o sexteto que chegou a 1m18s.

“Muitos dos adeptos estavam a torcer pela Bélgica e pelo Wout van Aert na última volta, pediam-me que desacelerasse e dirigiam-me palavras pouco simpáticas. Agradeço-lhes, porque isso deu-me ainda mais vontade de pedalar com força”, revelou o vencedor, que pensou no filho bebé para ter aguentar no final e ter força para chegar à meta isolado, após 5h56m34s.

Agora, Alaphilippe encara já num novo desafio, o de igualar Peter Sagan, o eslovaco que é o único a ter vencido três Mundiais de forma consecutiva. “Não há duas sem três. Nunca se sabe”, disparou o corredor de 29 anos, coroando uma época de altos e baixos, em que, ainda assim, conquistou a Flèche Wallone e vestiu a primeira amarela do Tour, depois de vencer a primeira etapa.

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