Obra de Frida Kahlo pode bater recorde de 25 milhões em leilão

Pintura da artista mexicana deve ultrapassar recorde estabelecido pelo marido Diego Rivera e tornar-se a mais cara obra sul-americana vendida em leilão.

Foto
Obra "Diego y yo" (Diogo e Eu), uma pintura que é o espelho da relação conturbada do casal DR

Frida Kahlo e Diego Rivera, talvez um dos casais de pintores mais famosos do século XX, ambos mexicanos, têm disputado o topo da lista de recordes das obras mais caras vendidas em leilão de artistas originários da América Latina. Ora é Frida Khalo (1907-1954) que está no topo, ora é Diego Rivera (1886-1957), com este último a ultrapassar a mulher em 2019, altura em que também bateu o recorde de artista latino-americano mais caro de sempre em leilão, mas a situação deverá inverter-se em Novembro, quando a leiloeira Sotheby's levar à praça a obra Diego y yo (Diogo e Eu), uma pintura que é o espelho da relação conturbada do casal. 

O auto-retrato da artista, que é ao mesmo tempo um retrato do marido, foi realizado em 1949 e tem um preço de venda estimado em 30 milhões de dólares (25,6 milhões de euros), ultrapassando largamente o anterior recorde de Frida, que atingiu em 2016 os oito milhões de dólares (6,8 milhões de euros) com a venda de Dois Nus na Floresta (1939). O recorde de Rivera, conhecido pelos seus monumentais murais, foi estabelecido com o óleo sobre tela Os Rivais (1931), que atingiu os 9,8 milhões de dólares num leilão da Christie's.

“Frida Kahlo é um ícone global da arte moderna cujo trabalho é amado em todo o mundo. Diego e Eu resume o trabalho extremamente minucioso, a sua iconografia complexa e as narrativas profundamente detalhadas que são marcas da sua pintura madura”, disse Anna Di Stasi, directora da Sotheby's para a arte latino-americana, num comunicado divulgado pela leiloeira esta semana que não revela ainda o dia do leilão em Nova Iorque. 

Foto

O auto-retrato Diego e Eu mostra uma Frida Khalo a derramar lágrimas — o tema da mulher a chorar, “a chorona”, é recorrente na obra da pintora — com uma representação do marido no centro da testa da artista, que teve várias relações extramatrimoniais durante o casamento e na altura em que a obra foi pintada causou escândalo com um affair com a actriz María Félix. Por sua vez, na testa de Rivera, surge um quinto olho, mostrando a omnipresença do marido não só na vida afectiva de Frida, mas também a sua enorme influência artística e cultural na época. 

O recorde de uma obra vendida em leilão por uma mulher cabe até aqui à norte-americana Georgia O’Keeffe, estabelecido com a natureza-morta Jimson weed/White flower no. 1 (1932), que atingiu os 44,4 milhões de dólares com uma venda da Sotheby's em Nova Iorque em 2014.